No ano passado, o Google comemorou os 10 anos do sistema Android no mundo. Porém, a plataforma só desembarcou por aqui em 2009, e isso acabou motivando a empresa fazer uma comemoração local para marcar o aniversário de uma década da estreia do sistema. De bate-pronto, a empresa revelou, em evento realizado em São Paulo nesta terça-feira (26),  que o usuário brasileiro está preocupado com o tempo dedicado ao telefone.

O levantamento do Google, feito online com 2480 brasileiros com mais de 18 anos, diz que seis em cada dez donos de Android no Brasil se preocupam com bem-estar digital, e que cinco em dez já fizeram alguma ação para controlar o tempo gasto no telefone.



A conclusão sobre a preocupação com “vício” em smartphone é interessante, pois mostra um movimento que tanto Apple como o Google tem aderido. A partir da versão 9 do Android, conhecida como Pie, a plataforma ganhou uma espécie de painel de controle, chamado bem-estar digital, em que é possível ver o tempo gasto em certos apps e estabelecer limites de tempo em cada um deles.

A função em si é bem interessante, mas ainda de alcance limitado. Apesar de a plataforma Android ser super popular, nem sempre as atualizações chegam para todos os smartphones. Não temos dados oficiais (o Google mantinha um dashboard falando das distribuições Android pelo mundo, mas não é atualizado desde maio), mas estimativas do Statcounter dão conta de que a versão Pie está pressente em 35% dos aparelhos, seguido da versão Oreo 8.1 (14,58%) e Marshmallow (13,32%).

A pesquisa também escancara a popularidade da plataforma: 85% dos entrevistados disseram que o Android foi o sistema operacional do primeiro smartphone. Também pudera, né? Quando chegou por aqui, em 2009, o mercado de celulares inteligentes era muito fragmentado. Tinha Symbian, BlackBerry OS e o iOS, da Apple, para citar só alguns.

Imagine o trabalho dos desenvolvedores: todo app tinha que ter uma versão para cada uma das plataformas. Sem contar que, para ter um sua versão do app em um determinado sistema, as marcas precisavam pagar para as empresas desenvolvedoras. Foi aí que o Android chegou, sem cobrar taxas adicionais e com a ideia de popularizar o uso de celulares inteligentes.

Outro dado interessante da pesquisa diz respeito aos tipos de uso das pessoas. Em ordem, tirando uso de serviços de mensagens, redes sociais e música, foram essas atividades que tiveram o maior número de resposta:

  • 77% realizar serviços bancários;
  • 70% ler notícias;
  • 65% usar apps de mobilidade (Google Maps, Moovit e Waze);
  • 51% para educação;
  • 44% para acessar serviços públicos (como FGTS, carteira de trabalho e de motorista digital).

Definitivamente não foi o Google que inventou a loja de aplicativos. O crédito aqui vai para a Apple, que ajudou a criar todo um ecossistema de desenvolvedores. No entanto, foi o sistema Android que ajudou a popularizar o smartphone no Brasil e, de quebra, facilitar o acesso destes apps para milhões de pessoas.

Maia Mau, head de marketing de AndroidMaia Mau, head de marketing de Android para a América Latina, durante evento do Google em São Paulo

Depois de estar na maioria dos bolsos dos brasileiros, a próxima empreitada do Google é entrar na casa das pessoas com produtos conectados — de lâmpadas “inteligentes” a alto-falantes conectados à internet que atendem comandos de voz.

Assim como em 2009, estamos apenas nos primeiros dias dessa categoria. Só resta saber se as pessoas vão aderir — acho difícil alguém que não seja entusiasta pagar R$ 350 em um alto-falante Nest Mini — e se acreditarão que esta nova categoria de produtos vai, de fato, tornar a vida mais fácil.