Empresas de tecnologia como Google e Facebook oferecem serviços em troca de seus dados. Sabemos disso. Mas elas sempre defenderam que não é nada com que se preocupar, porque você tem uma escolha. Às vezes, a escolha é concordar com os termos de serviço. Com o rastreamento de localização, o Google sempre possibilitou que você desativasse a função. Porém, de acordo com uma nova reportagem do Quartz, o Android tem forçado o rastreamento de localização, queira você ou não.

A investigação feita pelo Quartz descobriu que smartphones e tablets com Android como sistema operacional continuavam rastreando a localização geral dos usuários mesmo quando os serviços de localização estavam desligados, quando o celular não tinha nenhum chip, e mesmo sem aplicativos instalados. Contanto que o dispositivo estivesse conectado à internet, ele transmitia o endereço de torres de sinal de celular próximas de volta para o sistema do Google que é usado para notificações push e mensagens.

Quando você dá a aplicativos como o Google Maps a permissão de rastrear seus movimentos, os dados resultantes podem ser bastante precisos. O rastreamento por GPS pode apontar exatamente em qual restaurante você está, e esses dados podem ser usados para descobrir coisas como tempo de espera e popularidade do destino. Mas não estamos falando desse tipo de precisão nesse caso. Segundo o Quartz:

Embora informações sobre uma única torre de sinal de celular possa oferecer apenas uma aproximação de onde um dispositivo móvel está, múltiplas torres podem ser usados para triangular sua localização para dentro de um raio de 400 metros, ou para um ponto mais exato em áreas urbanas, onde as torres de sinal de celular são mais próximas umas das outras…

Embora os dados enviados ao Google sejam criptografados, eles poderiam potencialmente ser enviados para um terceiro se o celular tiver sido comprometido com spyware ou outros métodos de invasão. Cada telefone tem um número de identificação único, com o qual os dados de localização podem ser associados.

Portanto, alguém mal-intencionado poderia potencialmente usar os dados que uma pessoa sequer sabia estarem sendo transmitidos para descobrir a localização geral de uma pessoa. Imagine se alguém no programa de proteção à testemunho acabou de pegar um Galaxy S8 novo e fazem todas as coisas certas para proteger sua privacidade. Um hacker com conhecimento apropriado e determinação poderia, potencialmente, estar a menos de 400 metros dessa pessoa. Mas isso está fugindo um pouco da questão. Claro, essa é uma situação extrema em que a vida de alguém poderia estar em perigo, mas, independentemente do quão insignificantes seus dados de localização sejam, eles pertencem a você. Como consumidor com um conhecimento apropriado de como as coisas funcionam, você tinha uma expectativa razoável de que não estaria sendo rastreado. O que o Quartz descobriu é que o Google está traindo a confiança do público.

O Gizmodo entrou em contato com o Google sobre essas alegações, e um porta-voz nos disse:

Para garantir que mensagens e notificações sejam recebidas rapidamente, telefones modernos com Android usam um sistema de sincronização de rede que requer o uso de sinal extra para melhorar ainda mais a velocidade e desempenho da entrega de mensagens. Entretanto, nunca incorporamos o Cell ID no nosso sistema de sincronização de rede, então esses dados foram imediatamente descartados, e nós atualizamos para que não seja mais necessário pedir o Cell ID. O MCC e o MNC oferecem as informações de redes necessários para a entrega de mensagens e notificações e estão distintamente separadas de Serviços de Localização, que fornecem a localização de um dispositivo para os aplicativos.

O Google afirma que nunca implementou esse recurso e que a equipe decidiu eliminá-lo completamente. Um porta-voz do Google nos garantiu que o lançamento da atualização estará completo até o fim deste mês.

Quantos aos termos de serviço do Google, a linguagem é, evidentemente, um pouco confusa. Uma seção diz:

Quando você usa os serviços do Google, podemos coletar e processar informações sobre sua localização. Usamos tecnologias variadas para determinar a localização, incluindo endereço IP, GPS e outros sensores que podem, por exemplo, fornecer ao Google informações sobre dispositivos próximos, pontos de acesso Wi-Fi e torres de sinal de celular.

Independentemente de melhorar ou não a experiência, o Google tem acesso a montanhas de dados pessoais, e isso, aparentemente, ainda não é o bastante. Se eles quiserem implementar esse tipo de ajustes à troca de mensagens, ainda precisam oferecer aos usuários algum tipo de opção para desligar essa função.

[Quartz]