Os hackers que atacaram a Sony e fizeram um dos maiores vazamentos de informação da história deixaram um cartão nos servidores da Sony: um arquivo chamado “Anonymous”, tendo como conteúdo apenas o slogan do grupo. Más notícias para o pessoal do Anonymous, já que os membros juram de pés juntos que não tem nada a ver com o caso.

No último mês, hackers expuseram as informações pessoais de milhões de gamers da PlayStation Network, da Sony, incluindo dados de cartão de crédito. Em uma carta enviada ao Congresso, a Sony explica que a empresa foi alvo de um “ataque cibernético muito bem planejado, muito profissional e altamente sofisticado que visava roubar informações pessoais e de cartões de crédito”.

A carta também culpa implicitamente o Anonymous: a Sony revela que descobriu um arquivo nos servidores do Sony Online Entertainment chamado “Anonymous”, com apenas uma frase dentro, o slogan do grupo, “We Are Legion”. Caso encerrado, certo?

Não exatamente: a maioria dos membros do Anonymous afirma que o grupo não teve relação alguma com o ataque e estão fazendo questão de manter distância do caso. Nos servidores do IRC onde o grupo organiza suas operações, os canais dedicados aos ataques à Sony foram deletados sistematicamente há semanas. Citar uma possível operação contra a Sony pode significar banimento do canal. E quando a PSN saiu do ar misteriosamente no mês passado — que agora nós sabemos que foi durante o ataque hacker — o Anonymous fez um incomum comunicado à imprensa, dizendo que “de uma vez por todas, nós não fizemos isso”.

O Anonymous percebeu que atacar a PSN da Sony alienaria um poderoso e potencial grupo de apoiadores da causa: os nerds. A tese foi comprovada quando o Anonymous atacou a Sony no início de abril e tirou rapidamente a PlayStation Network do ar, em retaliação a um processo da empresa contra o cara que descobriu as brechas do sistema de segurança do PS3. O ataque causou uma revolta nerd que inundou parte dos chats do Anonymous com ofensas e retaliações. Um grande desastre para a imagem pública do grupo.

“Toda a molecada fã da Sony estava floodando [os sevidores de chat do Anonymous], chorando e reclamando”, disse Gregg Housh, um ativista associado ao Anonymous. Um ataque à PSN “irritaria um monte de gente que eles querem como fãs, e não como inimigos”. Uma preocupação similar foi ouvida em dezembro, quando o Anonymous cogitou um ataque à Amazon como forma de vingança ao caso Wikileaks: uma das razões para não perpetuar o ataque foi o receio de causar revolta naqueles que estavam fazendo compras natalinas.

O dilema criado pelo caso Sony mostra como o principal orgulho do Anonymous — sua natureza amorfa — pode também ser sua principal fraqueza. Quando a notícia de que o Anonymous esteve por trás do ataque à milhões de gamers, provavelmente uma nova revolta acontecerá. “Que raiva que o Anonymous hackeou a PSN”, disse um usuário no Twitter. Roubar milhões de cartões de crédito de pessoas comuns não cria uma imagem muito boa para o Anonymous.

Reclamações como “bode expiatório” surgem a cada instante no mundo do Anonymous, que obviamente argumentará que a Sony está tentando jogar a responsabilidade de sua enorme falha de segurança em cima do grupo. Mas, sinceramente, não há como o Anonymous repelir as acusações agora, especialmente se levarmos em consideração os antigos ataques à Sony: se alguém alega ser do Anonymous, ele é um Anonymous. Assim como uma pequena equipe de elite de hackers derrubou a firma de segurança HBGary era o Anonymous, quem quer que esteja por trás do caso da PSN pode alegar ser o Anonymous também — quer queira ou não a verdadeira equipe do Anonymous.