A Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês) está considerando utilizar inteligência artificial para sinalizar atletas que poderiam utilizar substâncias proibidas para obter vantagens injustas.

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“As discussões sobre inteligência artificial estão avançando”, disse Olivier Niggli, diretor da agência, ao veículo britânico iNews nesta semana. “Existem muitas coisas promissoras.”

Niggli, que se tornou diretor geral da WADA em 2016, trabalhou no notável McLaren Report, que implicou os atletas russos em um elaborado esquema de doping que, segundo o relatório, foi orquestrado pelo governo da Rússia.

Seguindo a recomendação da WADA, a Rússia foi banida das Olimpíadas de 2016 e alguns atletas participaram sob bandeira neutra nas Olimpíadas de Inverno de 2018. Como Niggli imagina, os algoritmos poderiam ajudar em iniciativas futuras do antidoping, analisando os dados de amostras biológicas durante os testes para drogas que melhoram o desempenho.

“Apenas algoritmos sofisticados conseguiriam encontrar as diferenças, o que permitiria a organizações antidoping focar nos direitos dos indivíduos”, disse ele ao iNews. “Organizações antidoping poderiam ter muita inteligência ao conseguir analisar muitos desses dados e detectar imediatamente anomalias que são sinais de possível doping”.

Niggli não se estendeu sobre os tipos de coisas que as inteligências artificiais seriam treinadas para detectar, mas uma forma possível seria trabalhar para registrar tendências em hormônios e neurotransmissores.

Em vez de testar apenas pela presença de um esteroide, por exemplo, os algoritmos podem indicar que um atleta tem picos constantes em testosterona, adrenalina e outras reações hormonais ligadas ao melhoramento da performance. Ser simplesmente sinalizado pelo algoritmo não levaria à suspensão, mas faria o atleta passar por uma análise humana.

Niggli diz que espera que a inteligência artificial se torne parte do sistema de triagem da WADA nos próximos cinco anos.

[iNews]