Uma recente pesquisa feita com armadilhas fotográficas em uma reserva natural togolesa revelou as primeiras imagens de um duiker-de-Walter, uma pequena espécie de antílope africano, vivo na natureza. As imagens também capturaram porcos-da-terra e uma espécie de mangusto, nenhum dos quais havia sido relatado anteriormente no Togo. As descobertas da equipe foram publicadas esta semana no African Journal of Ecology.

“Armadilhas fotográficas são um grande diferencial quando se trata de pesquisa de campo da biodiversidade”, disse o coautor Neil D’Cruze, biólogo de vida selvagem da Universidade de Oxford, por e-mail. “Passei semanas desbravando florestas tropicais aparentemente desprovidas de qualquer espécie de grande mamífero. No entanto, quando você liga o laptop e insere o cartão de memória de armadilhas fotográficas que estiveram ali pacientemente durante toda a viagem — e vê espécies que estiveram com você o tempo todo — é como ter um vislumbre de um mundo paralelo.”

O uso de armadilhas fotográficas permitiu que a equipe de pesquisa não dependesse mais de informações de caçadores, que trazem carcaças do raro animal para o mercado. Em vez disso, para estudar a fauna da região, eles plantaram 100 armadilhas fotográficas em torno do Parque Nacional Fazao-Malfakassa, no centro do Togo, que cobre uma área um pouco maior do que 1.700 quilômetros quadrados (para se ter uma ideia, a área da cidade de São Paulo é de 1.500 km²). Quando o levantamento foi concluído, a equipe conseguiu identificar 32 espécies de mamíferos, o que eleva o número total de espécies de mamíferos relatadas na área para quase 60.

“Nos últimos 200 anos, este gracioso antílope tem mostrado um grande talento para evitar cientistas, mas se provou tragicamente menos hábil em evitar redes, armadilhas e cães de caça”, disse o coautor David Macdonald, zoólogo da Universidade de Oxford e diretor da unidade de conservação WildCRU da universidade, em comunicado. “Traçar o paradeiro deles nos mercados de carne é quase análogo a traçar os hábitos dos veados no Reino Unido, mapeando sua ocorrência em açougues.”

O pequeno antílope se junta a várias outras espécies de antílopes nativas do parque. Reconhecido pela primeira vez como uma nova espécie em 2010 depois de comparar as carcaças de espécimes com outros espécimes duiker conhecidos, o duiker recentemente fotografado é o primeiro vivo catalogado por cientistas. Há tão pouco documentado sobre eles que eles nem mesmo estão na lista de ameaçados de extinção; a União Internacional para a Conservação da Natureza observa seu status como “deficiente em dados”. Obviamente, a equipe WildCRU está tentando mudar isso.

A equipe também encontrou um aardvark, o primeiro avistado no país. Imagem: Assou et al. 2021

“Esperamos que nossa emocionante descoberta — a primeira imagem ao vivo do duiker-de-Walter na natureza — aumente a necessidade de proteção adicional de nossa floresta e savana remanescentes”, disse o coautor Gabriel Segniagbeto, taxonomista da Universidade de Lomé, no Togo, no mesmo comunicado de imprensa. Ele enfatizou o reconhecimento “da importância do sistema de áreas protegidas do Togo, que atua como uma fortaleza vital para uma rica diversidade de mamíferos selvagens”.

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Segundo os pesquisadores, o Parque Nacional Fazao-Malfakassa é a única área protegida do país onde coexistem a savana africana e os elefantes da floresta. Os elefantes de savana estão ameaçados de extinção e os elefantes da floresta estão em perigo crítico, de acordo com um relatório da IUCN divulgado na semana passada.

Isso faz com que a armadilha fotográfica local seja ainda mais importante, à medida que os biólogos de campo tentam mapear o alcance e a extensão da biodiversidade da área protegida.