Apenas cerca de metade dos americanos disseram que gostariam de ser vacinados contra o novo coronavírus se ou quando uma vacina estiver disponível, de acordo com uma nova pesquisa da Associated Press e do NORC Center for Public Affairs Research. A pesquisa, realizada entre 14 e 18 de maio, é um sinal preocupante de que os americanos podem não ser capazes de atingir a imunidade de rebanho por meio da vacinação.

Os resultados da nova pesquisa, divulgados no início desta quarta-feira (27), descobriram que 49% dos adultos americanos disseram que planejam se vacinar caso uma vacina contra o coronavírus seja disponibilizada. Apenas 20% disseram que não planejam se vacinar, com os 31% restantes dizendo que “não têm certeza”.



A pandemia de COVID-19 adoeceu pelo menos 1,68 milhão de americanos e matou 98.929, de acordo com os últimos números do mapa da Universidade Johns Hopkins, com os idosos enfrentando o maior número de mortes.

Não é surpresa que a faixa etária com maior entusiasmo por uma vacina contra o coronavírus coronavírus sejam justamente as pessoas com mais de 60 anos, onde 67% disseram que planejam obter a vacina se ela for oferecida. Apenas 40% dos americanos entre 18 e 59 anos disseram que planejam tomar a vacina.

Houve uma divisão partidária para a questão, com 62% dos democratas dizendo que planejam tomar a vacina, e apenas 43% dos republicanos dizendo que querem ser vacinados. Vinte e seis por cento dos republicanos disseram que não iriam se vacinar.

O maior grupo que disse não pretendiam se vacinar, de acordo com a nova pesquisa da AP, foram pessoas negras. Quarenta por cento dos negros nos Estados Unidos disseram que não planejavam tomar a vacina, enquanto apenas 25% que o fariam. Os hispânicos americanos foram os mais inseguros sobre a obtenção da vacina, de acordo com a nova pesquisa, com 37% afirmando que “não tinham certeza” se queriam ser vacinados. Trinta e sete por cento dos hispânicos também disseram que estavam planejando tomar a vacina.

Como observa a Associated Press, algumas pessoas estão preocupadas com a segurança de uma nova vacina. E embora exista definitivamente um forte movimento anti-vacina nos Estados Unidos, nem todos que desconfiam da hipotética vacina contra o coronavírus é um anti-vaxxer. Algumas pessoas que falaram com a AP disseram que não acreditam que saberemos todos os possíveis efeitos colaterais de uma nova vacina que está sendo desenvolvida e fabricada apressadamente.

Há ainda a questão sobre a eficácia de uma possível vacina e pesquisa da AP perguntou aos entrevistados sobre quando eles esperam que ela se tornasse disponível. Vinte por cento dos americanos disseram que esperam que uma vacina esteja disponível até o final do ano. Mas a maioria dos americanos, 61%, disse que espera que uma vacina esteja disponível “em algum momento em 2021”. Apenas 17% disseram que esperam uma vacina em 2022 ou mais tarde.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu que uma vacina estará disponível até o final do ano em algo que ele está chamando de Operation Warp Speed. A maioria dos especialistas acredita que levará mais tempo para aumentar a produção de qualquer vacina hipotética para COVID-19.

Pelo menos 100 vacinas estão em desenvolvimento em todo o mundo – algumas pessoas estão sofrendo reações adversas em ensaios clínicos. Ian Haydon, um homem de 29 anos em Seattle, Washington, teve uma reação adversa à vacina da Moderna, apresentando febre de 39ºC depois de receber sua segunda dose, de acordo com o site especializado em saúde Stat.

“Enquanto nos apressamos para desenvolver uma vacina o mais rápido possível, a realidade é que só o desenvolvimento pode ser apressado e o ensaio ainda precisa acontecer”, disse Haydon, que enfatizou não querer que haja um estigma em torno das vacinas, de acordo com o Stat. “Eles têm que se mover na velocidade em que se movem. E histórias como as que me aconteceram, importam porque moldam o processo de aprovação.”

Quatro pessoas desenvolveram uma reação adversa à vacina no ensaio clínico de 45 pessoas da Moderna até agora, segundo o Stat, mas tudo isso faz parte do processo de desenvolvimento de uma vacina que produz anticorpos suficientes para combater uma possível infecção sem causar efeitos colaterais sérios em quem a recebe.