Com todas aquelas limitações e dificuldades criadas recentemente pelo Twitter, a vida de um desenvolvedor de clientes móveis do serviço não está fácil. Apesar disso, muita gente acredita que esse tipo de aplicação, apesar de um tanto saturada, seja o palco ideal para inovações — foi em um deles, o Tweetie, que o hoje onipresente “puxar para atualizar” surgiu, por exemplo –, o que valida todo esse esforço. Mas e quando a plataforma escolhida carece de usuários? Aí parte-se para outra. Pelo menos foi assim com o Carbon, que finalmente chegou ao Android.

“Não, nunca pensei nisso, e nunca foi o objetivo”, disse M.Saleh Esmaeili respondendo à possibilidade de transformar o seu cliente de Twitter móvel, o Carbon, em um app multiplataforma. Na ocasião, ele anunciou que estava o aposentando do Windows Phone e que, em breve, o Carbon daria as caras no Android. É a segunda migração do tipo; antes de chegar ao sistema da Microsoft, ele fizera sua estreia no quase finado WebOS.

Alguns meses depois a promessa ganhou forma e o Carbon chegou enfim à Play Store suscitando a pergunta: vale a pena?

Simples, competente, diferente

Vale pelo menos uma olhada. O Carbon para Android é um app bem bonito e resolvido. Ao abri-lo, você cadastra a sua conta e dá de cara com um não muito usual fundo de metal escuro escovado (ou algo parecido com isso). É uma concessão em meio a telas escuras, planas, sem texturas que são comuns no Android, mas sutil o suficiente para não se destacar e, admito, até ficar legal.

Screenshots do Carbon.

A interface se divide em três colunas: timeline, menções e mensagens diretas. A navegação entre elas é feita por gestos e, ao passar de uma para outra, botões no topo surgem. Seriam redundantes não fosse a “função secundária”: levá-lo direto ao topo, aos últimos tweets. Como ele não deixa escapar nada, às vezes são centenas de mensagens de 140 caracteres entre a sua última olhada na timeline e a última mensagem deixada por quem você segue. E na falta de um comando padronizado para chegar ao topo das aplicações, como o toque na barra de status do iOS, é um mecanismo válido.

O Carbon tem cores e um estilo que remetem às diretrizes do visual Holo, a linguagem visual do Android, mas com algumas peculiaridades. Umas de gosto meio duvidoso, como a barrinha que indica que atualizações estão em progresso, no topo, não raro sobreposta pelos botões das colunas. Outras, como trazer comandos principais para a parte inferior da tela, grandes acertos: em telas gigantescas, como as dos últimos Androids high-end, esse posicionamento é amigo do uso do celular com uma mão só. Além de botões para novo tweet, perfil e configurações no rodapé, essas últimas abrem em uma coluna estreita na lateral direita. Não há descrições das opções, mas os ícones são claros e auto-explicativos.

O app roda suave e vem cheio de transições elegantes e animações bonitas. Ao abrir um tweet, por exemplo, um clique na conversa (na parte inferior da tela) faz o tweet destacado rodar e esmaecer ao fundo. Ao apertar e segurar um tweet nas colunas principais, os demais escurecem e botões para ações rápidas saltam, com (merecido) destaque para o de responder. O “arrastar e soltar” para atualizações é precedido de um efeito meio “créditos de Star Wars”. É bonito de se ver.

Efeitos especiais do Carbon.

Extras e ausências

Em relação à experiência do app oficial do Twitter, há alguns ganhos e uma grande desvantagem. O que conta mais pontos aqui é o filtro de mudo: dá para “calar” na timeline pessoas, hashtags e até mesmo termos. Isso faz uma falta tremenda no app oficial, embora seja bem óbvio o motivo de esse recurso não existir lá. Mas em dias como o último domingo, com aquela profusão de tweets sobre o Super Bowl, foi uma mão na roda.

Outra coisa legal que o Carbon resgata é o suporte a fotos do Instagram. A guerra fria que Twitter e Facebook estão travando teve, como baixa, a remoção do suporte ao Instagram nos “cards” do Twitter, ou seja, o fim daquele preview de fotos do serviço direto na timeline. O Carbon traz isso de volta.

O contra? A falta de notificações push. Em vez de notificá-lo em tempo real, o Carbon dá um ping no Twitter a cada 15 minutos para ver se há novas DMs ou replies. Para heavy users pode ser um detalhe que invalida a troca para o Carbon; para quem não liga muito para isso, ou não depende do Twitter para coisas… digamos… importantes, é algo que passa. Pelo menos ao recebê-las você é brindado com avisos “Jelly Bean-ready”, ou seja, com ações (responder e retuitar) direto da área de notificações. Há outra limitação na quantidade de refreshes disponível em dados intervalos. Limitações da API e, contra isso, é difícil brigar…

Ao contrário de outras opções mais PRO de clientes de Twitter disponíveis para o Android, como Tweetings e Falcon Pro, o Carbon é gratuito. Abre rapidinho, tem um visual diferentão e bacana, algumas firulas que talvez justifiquem a sua adoção e, em breve, uma versão especialmente feita para tablets. E, hey, é um app novo — estamos julgando aqui uma versão 1.0. Como os desenvolvedores têm aquela política de focar em apenas uma plataforma, é de se esperar que melhorias aconteçam logo. E não dá para ignorar o potencial que o app tem. [Google Play]