A Apple e o Google não estão desenvolvendo aplicativos de rastreamento do contato com pessoas com coronavírus, mas nesta segunda-feira (4) eles compartilharam exemplos de como esses apps poderiam ser. A ideia das companhias é oferecer a base para que autoridades lancem esses aplicativos.

As companhias detalharam o que as autoridades de saúde pública que poderiam usar as APIs de rastreamento de contato para criar tais aplicativos não seriam capazes de fazer: rastrear a localização de indivíduos e usar os seus dados para vender anúncios.



Ninguém seria obrigado a baixar os aplicativos criados pelas agências de saúde, ao contrário de aplicativos similares lançados em outros países, então as pessoas teriam que instalá-los e optar por receber notificações se quiserem ver se uma pessoa que também estivesse usando o app testou positivo para COVID-19 e está dentro do alcance do Bluetooth.

A Apple e o Google publicaram nesta segunda-feira (4) telas com o passo a passo de como as autoridades de saúde pública poderiam projetar seus aplicativos, começando com o cadastro. Para que os aplicativos de controle de exposição sejam úteis, seria preciso habilitar notificações. Os usuários poderiam compartilhar o diagnóstico de COVID-19 positivo dentro do aplicativo, com a verificação do departamento de saúde pública local para obter um número único de identificação do teste e a data do teste.

O aplicativo compartilharia identificadores Bluetooth aleatórios gerados pelo seu celular com outros dispositivos que se aproximaram nas últimas duas semanas. Esses identificadores mudam a cada 10-20 minutos, explicou a Apple, o que, segundo a empresa, torna impossível rastreá-lo. Se o usuário habilitar as notificações, o celular receberá um alerta sobre a data de possível exposição à COVID-19 e quais os passos que você pode tomar.

É assim que o aplicativo seria no iPhone e no Android (as imagens são apenas uma referência):

Não é assim que o rastreamento de contatos funciona em países onde a utilização de um aplicativo é obrigatória pelo governo. Esses aplicativos, que estão sendo lançados na Índia e na Rússia, são pesadelos de privacidade, como já detalhamos. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido está supostamente descontente com os esforços do Google e da Apple porque os dados coletados são descentralizados em vez de passarem por um servidor do governo.

Mas talvez não importe o quão seguras sejam as APIs de Apple e Google caso as pessoas não confiarem nos apps dos departamentos de saúde pública. Um estudo recente nos EUA mostrou que mais de 40% das pessoas não planejam usar um dos aplicativos de rastreamento de contatos, porque não confiam nas empresas de tecnologia.

Os aplicativos de rastreamento de exposição são apenas uma parte do esforço para conter a disseminação do COVID-19. Nos EUA, os estados estão contratando pessoas que possam fazer esse rastreamento para aqueles que não possuem acesso a um smartphone ou que hesitem em relatar seu diagnóstico em um aplicativo.