Apple e Google anunciaram na semana passada que se juntariam para desenvolver uma tecnologia de rastreio de contatos que pudesse ajudar a acompanhar a forma como o novo coronavírus se espalha.

A notícia foi imediatamente recebida com perguntas de especialistas em privacidade e segurança, apesar das promessas da Apple de que “a privacidade, transparência e consentimento [seriam] da maior importância neste esforço”. Agora, ambas as empresas afirmam que a próxima ferramenta de rastreio de contatos exigirá uma verificação para diagnósticos positivos de COVID-19, relata a Bloomberg.

Em resumo, a tecnologia de rastreio de contatos proposta utilizará o Bluetooth para determinar a localização de uma pessoa e com quem ela esteve em contato. Se alguém entrou em contato com uma pessoa que teve COVID-19, a tecnologia avisará aos usuários que foram expostos e dará mais informações sobre o que fazer a seguir.

Em mais detalhes fornecidos nesta segunda-feira (13), as empresas afirmaram que o sistema poderia avisar usuários registrados quando estivessem a poucos metros uns dos outros durante um máximo de 10 minutos. As companhias afirmaram que as pessoas que queiram avisar que têm COVID-19 precisarão passar por uma verificação de resultados.

Segundo a Bloomberg, os resultados serão verificados por agências de saúde pública que estão desenvolvendo apps que funcionam com a tecnologia de rastreio de contatos da Apple e do Google. Eles observaram também que o programa seria opt-in (ou seja, os usuários teriam que optar por participar) e que as pessoas teriam que baixar um app oficial separado para introduzir os resultados dos seus testes.

Faz sentido que a Apple e o Google sejam rápidos a abordar as questões de privacidade. Quando o programa foi inicialmente anunciado, alguns especialistas apontaram que falsificações e falsos positivos poderiam involuntariamente sobrecarregar ainda mais os hospitais além da capacidade

Até o presidente dos EUA, Donald Trump, deu o seu pitaco, dizendo que a ferramenta proposta era “espantosa”, ao mesmo tempo que assinalava que tinha “alguns problemas constitucionais muito grandes”. (Não é claro o que é inconstitucional num app de rastreio de contatos optativo).

A verificação dos resultados dos testes ajudaria a evitar que os idiotas abusassem da ferramenta.

Ambas as empresas disseram que nenhum nome de usuário ou localização seria compartilhado ou armazenado. De acordo com o Cult of Mac, a Apple e o Google dizem que os detalhes de localização recolhidos por meio do Bluetooth mudarão a cada poucos dias para proteger o anonimato e que, idealmente, um usuário nunca descobriria de quem exatamente pegou COVID-19.

Dito isso, os especialistas em privacidade alertaram repetidamente que os dados anonimizados não são tão seguros como as empresas gostariam que acreditássemos.

Neste momento, o plano consiste em implantar a tecnologia em duas fases. A primeira fase terá início em meados de maio e envolverá uma API de desenvolvedor concedida a instituições de saúde pública. Nos meses seguintes, será atualizada para que o sistema funcione diretamente no Android e iOS por meio de atualizações de software. De acordo com o TechCrunch, a ferramenta funcionaria a partir do Android 6 e iOS 13.

Isso significa que milhares de pessoas poderiam receber notificações sem nunca baixarem uma app específico. Mas até que a tecnologia proposta tenha sido submetida a uma extensa e pública revisão por especialistas em privacidade, é uma questão de saber se você confia na nas grandes empresas de tecnologia de que irão preservar a privacidade.