Os relógios inteligentes são uma das tecnologias que deixaram de ser quase que exclusivas de gerações mais jovens para começar a ganhar popularidade entre os mais velhos, e grande parte disso deve-se ao fator saúde. A Apple é uma das principais fabricantes que aposta no discurso sobre a preocupação com a saúde dos usuários para vender seu vestível.

Prova disso é o vídeo promocional da empresa, exibido inclusive durante a apresentação do Apple Watch Series 5, que reúne uma série de depoimentos de pessoas relatando como o relógio inteligente da empresa salvou suas vidas. Mas, por mais que esses casos sejam verdadeiros, a própria Apple é cautelosa em reforçar que seus produtos não devem ser vistos como equipamentos médicos.

Além dos tradicionais recursos de monitoramento de sono e de exercícios físicos, uma das novidades oferecidas pelo Apple Watch é a possibilidade de realizar um eletrocardiograma (ou ECG) que permite detectar fibrilação atrial, uma irregularidade na frequência cardíaca que pode gerar um infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral). Assim, você pode realizar um teste, antes feito apenas por médicos utilizando um equipamento especial, a partir de um dispositivo em seu pulso.

No entanto, uma limitação apontada pela própria Apple é que o relógio pode não ser capaz de detectar um ritmo cardíaco acima de 120 bpm (batidas por minuto). Na verdade, a empresa alega que o smartwatch inclusive não foi feito para diagnosticar fibrilação atrial, mas apenas para notificar os usuários que um diagnóstico ou acompanhamento médico é recomendado. Segundo a companhia, o dispositivo não monitora constantemente condições como essa e pessoas com fibrilação atrial podem não receber uma notificação.

Um dos problemas dessa limitação do Apple Watch é que, conforme dados da Mayo Clinic citados pela Fortune, uma pessoa com fibrilação atrial costuma apresentar uma frequência cardíaca entre 100 e 175 bpm. O site ainda menciona outro estudo publicado na Annals of Medicine que descobriu que um terço dos pacientes analisados tinha uma frequência acima de 120 bpm. Além disso, parte desses pacientes utilizava beta-bloqueadores, um medicamento para controlar o ritmo acelerado do coração; o que significa que muitos deles poderiam apresentar uma frequência maior do que aquela registrada no estudo.

Somando-se a isso, um artigo publicado na Circulation estudou a capacidade do Apple Watch de detectar fibrilação atrial em um grupo de pacientes que haviam sido submetidos a uma cirurgia cardíaca. Os resultados indicaram que a precisão do dispositivo em detectar a irregularidade foi de apenas 41%.

Diante disso, a lição que fica é: apesar de o Apple Watch, e os relógios inteligentes em geral, facilitarem muito o monitoramento e acompanhamento da nossa própria saúde, eles não substituem de maneira alguma qualquer exame, equipamento ou consulta médica profissional. Tenha você recebido ou não uma notificação do seu smartwatch, mantenha seus exames de rotina em dia.

[Fortune]