Na edição de lançamento de um novo jornal chamado The Anthropocene Review, o geólogo Jan Zalasiewicz, da Universidade de Leicester, liderou uma equipe de cinco articulistas na discussão sobre a fossilização gradual de artefatos humanos, incluindo máquinas industriais, objetos do cotidiano, e até mesmo cidades inteiras. Eles se referem a eles como “tecnofósseis” que estão destinados a formar uma nova camada na superfície da Terra.

Como Mark Willians, co-autor do artigo, explicou em um comunicado recente: “Se algum paleontólogo aparecer – ou visitar – a Terra em um futuro geológico distante, ele achará camada de tecnofóssil mais estranha e maravilhosa do que ossos de dinossauros.”

A “camada tecnofóssil” a qual ele se refere será um novo estrato de máquinas fossilizadas: artefatos estranhos e comprimidos “que vai variar em escala de quase-continental (conglomerados urbanos) a pequenos (garrafas, canetas) a microscópicos (partículas de cinzas e outras ‘nano-partículas’ e ‘nano-artefatos’),”, explicam os autores no artigo.

Os autores também adicionaram um contexto teórico, ilustrando as várias escalas pelas quais essa fossilização ocorrerá, até que, em um ponto, eles sugerem que túneis profundos de mineração podem ser candidatos à fossilização futura, e que a “penetração profunda da crosta”, como eles descrevem, pode até ser um dos últimos traços deixados pelos seres humanos. As implicações de ficção científica aqui – que, em outros planetas rochosos, nós devemos procurar por minas antigas e profundas preservadas abaixo de quilômetros de pedra, em vez de ruínas de cidades na poeira e radiação da superfície do planeta – é bem impressionante, e até sugere outras, como estratégias subterrâneas para encontrar civilizações em outros mundos.

De qualquer forma, Zalasiewicz já é bem conhecido pelas suas especulações geológicas detalhadas sobre o que acontecerá com as cidades do planeta ao longo das próximas centenas de milhões de anos, enquanto lugares como Los Angeles estarão totalmente erodidos e outros – incluindo cidades como Nova Orleans e Londres, por exemplo – vão gradualmente ser enterrados na lama, cozidos e, literalmente, fossilizados. Estes cenários vastos e extensos talvez sejam parcialmente exumados por alguma civilização distante no futuro, e exibidos e museus, formando artefatos misteriosos e impossivelmente antigos para aqueles que os observarão. Como os dinossauros são para nós hoje em dia. [The Anthropocene Review]

Imagem de topo via Biblioteca do Congresso