Após a publicação de nossa matéria sobre a Neon Eletro, na última segunda-feira, um bocado de coisas aconteceram — e nada de bom para a empresa que promete iPhones 5 por menos de mil reais. A ONG Pro Teste fez uma denúncia ao Ministério Público por causa dos clientes lesados, enquanto o ReclameAqui conversou com o delegado que está cuidando do caso. Enquanto isso, a empresa promete nos enviar um comunicado — e, esperamos, respondam a série de perguntas que fizemos.

A Pro Teste anunciou ontem que encaminhou ao Ministério Público de São Paulo as reclamações que transbordam nas redes sociais sobre a dificuldade da empresa sediada em Jaú em entregar seus produtos. Com isso, a ONG espera que “providências urgentes” sejam tomadas, já que “a empresa, sediada em Jaú, continua a fazer novas vítimas e não soluciona os problemas pendentes”. Eis a questão: mesmo após a denúncia, a Neon Eletro continua vendendo seus produtos e anunciando e portais e canais de televisão.

A empresa está veiculando um comunicado sobre seus problemas de entrega, dizendo que isso afeta “apenas 5%” dos compradores, mas não dá mais detalhes sobre os problemas levantados por nossa matéria. Após a publicação, a empresa entrou em contato com o Gizmodo Brasil, exigindo a publicação de um direito de resposta. Ainda estamos no aguardo do posicionamento da empresa — e esperamos que a mensagem responda também às 12 perguntas que encaminhamos ao departamento jurídico da Neon Eletro, já que as dúvidas vão muito além do que o caso do atraso nas entregas.

O delegado que está cuidando do caso em Jaú, José Carlos Freitas de Cara, parece ter feito a lição de casa e lido a matéria: em entrevista ao ReclameAqui, ele cita detalhes de nossa apuração, como o abatimento fiscal, a teoria da venda “três para um” e a tática da empresa de mudar o nome e a marca frequentemente para arrefecer as reclamações.

Entramos em contato com as fabricantes envolvidas — Apple, Samsung, Sony e outras — para ouvir o posicionamento delas, mas ainda não recebemos respostas. Questionamos o UOL, que afirmou que “é integralmente responsável pelo conteúdo jornalístico que produz, mas não tem ingerência nem se responsabiliza pelos anúncios divulgados em espaços publicitários de terceiros”. Questionado pela reportagem, o SBT ainda não se posicionou.

Essas são só as primeiras consequências de um caso que, muito provavelmente, deve derrubar uma empresa que vem lesando consumidores — e que ainda precisa explicar como abate tantos impostos, vende aparelhos com preço tão diferente da concorrência e de onde tirou dinheiro para anunciar em espaços caros, como no SBT e na UOL. Ficamos no aguardo das respostas da Neon Eletro, da Justiça e de outras partes envolvidas. O caso continua vivo.