A vítima era uma costureira, que foi encontrada morta em uma plantação, estrangulada com sua própria echarpe. O suspeito era um cara estranho que insistia em dizer que não tinha nenhuma relação com o crime, e que estava longe do local quando ele ocorreu. Como um detetive provou o que aconteceu neste crime de 1904? Com um pouco de terra.

No século passado, as pessoas não eram tão espertas a ponto de remover todas as evidências em uma cena de crime. Por essa razão, detetives em Frankfurt (Alemanha) examinaram a área próxima ao corpo de Eva Disch e encontraram um lenço com muco do assassino. Não se sabia, porém, se o lenço teria sido colocado lá após o crime, o que não ajudaria a achar um suspeito — isso é, até o químico George Popp ir até a cena do crime.

Popp examinou o lenço e descobriu que o muco presente estava cheio de rapé (tabaco em pó), pó de carvão e resquícios do mineral horneblenda. Este último é um componente que forma vários tipos de rocha, incluindo o granito.

Uma visita pela vizinhança fez com que a investigação chegasse a Karl Laubach, que trabalhava em um gasômetro, onde carvão era constantemente queimado. O local ficava em uma pedreira, onde se encontra o mineral. Enquanto eles levavam o suspeito para responder umas perguntas, os detetives verificaram as unhas dele e acharam todos os componentes do lenço.

Eles não conseguiram uma confissão do crime: Laubach insistiu que ele não esteve próximo à cena do crime. Infelizmente para ele, a barra da calça estava sem bainha e juntou terra. O detetive Popp averiguou toda a vestimenta e, a princípio, não parecia nada encontrado na plantação: havia uma camada fina de mica, material que não foi encontrado no local do crime. Mas, abaixo dessa camada, havia todos os minerais que Popp encontrou próximo à mulher assassinada.

O que era a camada externa de terra? Popp observou ao redor e descobriu que o caminho entre o campo e a casa de Laubach tinha um tipo particular de mica. Ou seja, não só a geologia ajudou Popp a provar que Laubach assassinou Disch, mas também mostrou a rota que Laubach fez no caminho de volta após o crime.

[Fontes: History of Forensic Geology e Forensic Geology Case Histories]

Imagem: Willem van Aken, CSIRO