No início desta semana, surgiram informações de que algumas empresas chinesas de tecnologia estariam criando suas próprias soluções para driblar a nova tecnologia antirrastreamento que a Apple vai incluir nas próximas versões do iOS 14. Mas, ao que parece, a companhia está começando a reagir para coibir tais ações.

Nesta quinta-feira (18), o Financial Times relatou que a empresa enviou avisos para dois aplicativos chineses que foram pegos tentando criar seus próprios identificadores exclusivos para um determinado aplicativo — algo que a atualização da Apple proíbe explicitamente.

Os dois aplicativos em questão foram pegos usando o China Advertising Association ID (CAID), que foi desenvolvido pela associação comercial de mesmo nome no final de 2020 como uma forma de manter o rastreamento e segmentação de usuários do iPhone depois que as atualizações da Apple entrarem em vigor.

O Financial Times primeiro publicou que algumas das maiores empresas de tecnologia da China, como Baidu, Tencent e Bytedance, estavam supostamente executando testes para implementar o identificador. Juntas, essas três gigantes digitais são responsáveis por controlar cerca de 54% dos gastos totais em anúncios da China.

Não está claro ainda como as atualizações da Apple vão afetar os bilhões de dólares gastos em publicidade direcionada. Nos EUA, sabe-se que vários dos principais players do mercado de veiculação de anúncios — em especial, o Facebookpreviram algum tipo de queda significativa na receita com a atualização do iOS e por isso, fizeram campanhas publicitárias que incentivavam a importância dos anúncios em suas plataformas, como forma de defender seu negócio das garras da Apple.

falamos um pouco sobre o significado destas atualizações e por que o Facebook está na ofensiva. Mas, em resumo, a atualização simplesmente exigiria que os aplicativos pedissem o consentimento do usuário antes de usar um identificador específico (IDFA), que está embutido em seu telefone. Sem acesso a este IDFA, esses desenvolvedores de aplicativos não têm como rastrear usuários fora de seu próprio aplicativo.

Como você pode imaginar, é uma notícia muito ruim para as empresas que lucram com isso. Embora algumas delas tenham tentado encontrar suas próprias maneiras de subverter as novas regras da Apple, existem algumas diretrizes bastante rígidas que proíbem quase todas elas: nada de fingerprinting, função hash e criação de identificadores próprios.

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Acontece que é exatamente isso que algumas dessas empresas chinesas estavam tentando fazer. Por exemplo, a empresa-mãe do TikTok, a ByteDance, usa uma plataforma de adtech chamada Ocean Engine, que busca identificadores como o IMEI de um telefone e especificações de hardware, sendo que ambos são usados ​​para atribuir um CAID exclusivo ao telefone. Se você olhar os termos de privacidade do CAID, verá que esse identificador é projetado para ser armazenado em um servidor alojado dentro da própria China Advertising Association, o que significa que qualquer aplicativo que use este código integrado poderia recuperar esse ID para exibir propagandas para quem está um aplicativo específico.

E isso não é uma violação das rígidas diretrizes da Apple? Sim, com certeza. Mas, como o Financial Times inicialmente aponta, a Apple inexplicavelmente ainda não havia reprimido o CAID ou quaisquer aplicativos que o implementassem. Bom, pelo menos até agora. Um desenvolvedor pego inserindo este código foi informado de que a Apple descobriu que seu aplicativo “coleta informações do usuário e do dispositivo para criar um identificador exclusivo para o aparelho”. O responsável pelo app teve duas semanas para colocar uma atualização e ficar “em conformidade com as Diretrizes da App Store”, segundo o Times.

No momento, não está claro se os principais gigantes do meio de aplicativos móveis vão recuar. Embora não possamos confirmar a situação em que se encontram a Tencent ou o Baidu, no momento da publicação deste texto, os documentos para desenvolvedores do Bytedance ainda listam o CAID como um identificador opcional se o IDFA de um usuário não estiver disponível.

Entramos em contato com a Apple para comentar sobre sua aplicação e atualizaremos se houver uma resposta.