Uma nova pesquisa do Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central estuda as vantagens em se aplicar blockchain, o sistema de criptografia por trás das transações de bitcoins, em operações bancárias.

Disponível no site oficial da instituição, o artigo fez uso de teorias e práticas para avaliar os potenciais usos da tecnologia, entre elas a emissão de moedas soberanas eletrônicas, a criação de um sistema de gerenciamento de identidades e um sistema alternativo de liquidação de transação, segundo informações do Portal do Bitcoin. O foco da pesquisa foi determinar se a tecnologia blockchain era capaz de manter uma transferência de reservas do Banco Central.

A conclusão do estudo, entretanto, avalia que a tecnologia tem potencial, mas “ainda não está madura o suficiente”, disse Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe adjunto no Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central, ao Portal do Bitcoin.

“Esbarramos em questões de privacidade entre instituições financeiras, que infringem os requisitos atualmente exigidos pelo Banco Central”, diz. Cavalcante conclui, no entanto, que, caso tais requisitos venham a ser alterados, seria possível “manter o sistema operando em regime de contingência no caso de uma queda completa do Banco Central”, explica. “A blackchain poderia nos dar algo que não conseguimos com as tecnologias atuais”.

A publicação do artigo, ainda segundo o chefe adjunto, é uma maneira de se comunicar com outros bancos centrais ao redor do mundo, da mesma forma que o Banco Central já faz com pesquisas publicadas por instituições estrangeiras. “Gostaríamos de dar a nossa contribuição”, diz. O Banco Central hoje já tem um canal aberto de comunicação com o Banco Central de Singapura para troca de informações.

Chega a ser cômico que a mesma tecnologia por trás das moedas de “assassinos e traficantes”, como julgou o presidente da J.P. Morgan, maior banco de investimentos do mundo, pode ser usada para tornar bancos tradicionais melhores e mais seguros.

[Portal do Bitcoin]