É natural ver companhias de tecnologia se empenhando para sair na frente quando o assunto é inovações tecnológicas. Mas um governo usar seu Ministério das Relações Exteriores para se estabelecer na nova tendência é novidade.

A pequena ilha de Barbados, na América Central, será o primeiro país a inaugurar sua embaixada no metaverso. Segundo os mais entusiastas, a tecnologia promete ser a maior revolução desde o smartphone, e vem recebendo investimentos massivos de gigantes da tecnologia como Microsoft, Epic Games e, é claro, o Facebook — quer dizer, Meta.

Mas quais são os efeitos políticos de um Estado abrir embaixada em uma localização estrangeira? Quando um país instala uma embaixada no exterior ele está automaticamente reconhecendo a soberania da nação na qual está localizada. Então, Barbados estará reconhecendo a legitimidade de um ambiente completamente virtual?

Neste caso não é bem assim. O metaverso será um espaço para o para o governo barbadense desenvolver suas relações diplomáticas.

Barbados terá auxílio da Decentraland, plataforma de realidade virtual focada na criação de mundos 3D, ponto essencial para o metaverso.

“É uma ferramenta que permitirá estabelecer novos aliados, desenvolver relações com outros países e oferecer serviços em todo o mundo”, afirmou o embaixador do país caribenho nos Emirados Árabes Unidos, Grabriel Abed, em entrevista. O governo ainda planeja fechar outros acordos com Somnium Space e Superworld.

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Outro argumento para usar o metaverso é que pode trazer benefícios ao meio ambiente, já que o país poderá ampliar suas relações diplomáticas sem necessitar se deslocar de avião, evitando a queima de combustíveis fósseis.

O país caribenho não é o primeiro a tentar fazer diplomacia em espaços virtuais. Em 2007 as Maldivas estrearam um perfil diplomático no Second Life, ambiente em que é possível simular interações e vida social totalmente online. Países como Estônia, Colômbia, Suécia, Sérvia, Macedônia do Norte, Filipinas, Albânia, Israel e Malta também seguiram a tendência.