Algum dia você já se perguntou qual bilionário da tecnologia pensa mais sobre o nobre ato de fazer cocô? Bem, não precisa mais imaginar. A resposta é o Bill Gates.

Na terça-feira (7), o cofundador da Microsoft participou da apresentação de um evento em Pequim (China) em que impressionou a plateia ao colocar um pote de fezes ao seu lado. A ideia era abrir os trabalhos do Reinvented Toilet Expo para inspirar como pode ser o vaso sanitário do futuro.

Bill Gates bebeu um copo de água feita a partir de cocô

Mas você deve estar se perguntando: e aqueles vasos sanitários supertecnológicos do Japão? Você sabe: aqueles que aquecem o assento, atiram água em direção ao seu bumbum e contam com barulhos para mascarar sua flatulências. Ou mesmo os sanitários de alguns lugares da China que têm Wi-Fi e são repletos de caixas eletrônicos, carregadores e até TVs. Bom, Gates tem uma visão diferente de como os vasos sanitários inteligentes deveriam ser. Para ele, esses itens não deveriam usar água.

O motivo para isso são os germes. A água carrega um monte de vírus, parasitas e germes. Durante seu discurso, Gates disse que o cocô que estava ao seu lado no palco poderia ser o hospedeiro de mais de “200 trilhões de rotavírus (que causam inflamação no trato gastrointestinal), 20 bilhões de bactérias shigella (que causam disenteria) e 100 mil ovos de vermes parasitas”. Paralelamente ao evento, o cofundador da Microsoft também postou um vídeo no Twitter (em inglês) em que alerta para o problema — basicamente, ele propõe um sistema que trata os resíduos humanos localmente; quando não tratados, os dejetos podem levar a doenças que causam diarreia, prejudicando sobretudo as crianças que crescem desnutridas.

Desde 2011, Bill e Melinda Gates doaram US$ 200 milhões para desenvolver vasos sanitários sem água por meio da Gates Foundation. A ideia é fazer uma privada que pode operar sem água, esgoto ou energia elétrica.

Além disso, o vaso sanitário deve remover germes dos dejetos humanos e custar menos de US$ 0,05 por dia para se usar. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), pelo menos 2 bilhões de pessoas bebem água de fontes contaminadas. E elas claramente não têm grana para ter algumas das opções supermodernas usadas em alguns países asiáticos. Nos EUA, a instalação de tais vasos sofisticados custa algo entre US$ 600 e US$ 1.700.

“Devo dizer, uma década atrás, eu nunca imaginei que falaria tanto sobre cocô”, disse Gates para o público da Reinvented Toilet Expo. A verdade é que Gates tem falado do assunto já há um tempo. Em 2015, ele tomou água extraída de fezes humanas para demonstrar a tecnologia de tratamento de água que sua fundação está bancando para o mundo em desenvolvimento. É bom saber que ele confia na tecnologia que sua instituição está financiando, né?

Siga o Gizmodo Brasil no Instagram