Embora Bill Gates não seja um pesquisador, tampouco um cientista, o cofundador da Microsoft consegue exercer uma certa influência no campo da saúde graças a projetos voltados para essa área. O ex-programador também é um grande defensor de vacinas, e claro que ele já deu uns pitacos sobre o que podemos esperar dos imunizantes contra o novo coronavírus. E na opinião do filantropo, a doença dificilmente será erradicada em um curto período de tempo.

“Mesmo chegando no começo de 2022, a menos que ajudemos outros países a se livrar dessa doença e que tenhamos altas taxas de vacinação em nosso país, o risco de reintrodução [do vírus na sociedade] estará lá”, contou Gates em entrevista recente ao canal CNN na segunda-feira (14), mesmo dia que se iniciou uma mega campanha de vacinação dos estadunidenses.

Gates afirma que, “infelizmente, os próximos quatro a seis meses podem ser os piores da pandemia”, principalmente por conta das celebrações do Natal e Ano Novo, quando há uma tendência de aglomerações. Inclusive, cita um relatório do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) que projeta mais de 200 mil mortes até o final do primeiro semestre do ano que vem – e isso só nos Estados Unidos. O país é o mais afetado pela pandemia no mundo, com o maior número de casos e mortes: 16,5 milhões de infectados e mais de 300 mil óbitos.

O fundador da Microsoft- também defende que os governos mantenham as medidas de isolamento, mesmo após a chegada das primeiras vacinas. E isso, em especial, nos países que não terão capacidade de lidar por conta própria na solicitação dos imunizantes. “Se seguirmos as regras, em termos de uso de máscara e distanciamento social, poderíamos evitar uma grande porcentagem dessas mortes”, disse.

Apesar da dura realidade, Gates está otimista com os resultados das vacinas em estágio avançado, como é o caso das opções da Pfizer e da Moderna. Além disso, acredita que uma forma de incentivar a população a se vacinar é que ex-presidentes dos EUA, como Barack Obama, Bill Clinton e George W. Bush – sem contar o atual eleito, Joe Biden – tomem a iniciativa e sejam vacinados publicamente. No entanto, Gates diz que não pretende furar a fila, mesmo se encaixando no grupo de risco. Ele tem 65 anos.

Gates já havia previsto em 2015, durante uma palestra, que a maior ameaça às vidas humanas nos próximos anos seria um vírus. “Se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é mais provável que seja um vírus altamente infeccioso do que uma guerra. Não mísseis, mas micróbios. Parte da razão para que isso aconteça é que investimos milhões em aparatos nucleares. Mas, na verdade, muito pouco foi investido em um sistema para conter uma epidemia”, declarou o executivo naquela época.

Você pode assistir a entrevista completa de Bill Gates à CNN no player abaixo:

[CNN, BGR]