São Paulo promete ser o primeiro estado brasileiro a ter uma vacina contra o novo coronavírus. Essa é a afirmação do governo paulista, que nesta segunda-feira (7) anunciou as primeiras informações do plano de vacinação com a vacina CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

De acordo com o governo de São Paulo, 9 milhões de pessoas serão vacinadas nessa primeira fase, e cada pessoa terá de tomar duas doses: a primeira no dia 25 de janeiro, e a segunda no dia 15 de fevereiro. Isso vale para o primeiro grupo de pessoas que devem ser imunizadas no início de 2021.

Inicialmente, o público alvo serão trabalhadores de saúde, indígenas e quilombolas. Todos devem receber a primeira dose já no final de janeiro. Nas datas sequentes programadas pelo governo estadual, entram na fila os idosos, começando por aqueles com 75 anos ou mais, seguidos por cidadãos de 70 a 74 anos, depois 65 e 69 anos, e por último os de 60 a 64 anos. Nesse esquema, a vacinação dos grupos prioritários tem previsão de ser encerrada no dia 22 de março.

“O público-alvo da primeira fase da vacinação são as pessoas com 60 anos ou mais, que correspondem a 7,5 milhões de pessoas, trabalhadores de saúde, que são os nossos grandes agentes na linha de frente salvando vidas, quilombolas, indígenas, que são 1,5 milhão de pessoas e a prioridade são os trabalhadores de saúde, num total de 9 milhões de pessoas”, disse Regiane de Paula, coordenadora do controle de doenças da Secretaria Estadual da Saúde.

Este é o cronograma divulgado pelo governo de São Paulo e as datas previstas para vacinação:

Imagem: Governo de SP/Divulgação

Hoje, o estado conta com 5,2 mil postos de vacinação nos 645 municípios paulistas, mas o objetivo das autoridades é ampliar esse número para até 10 mil pontos. Além dos postos de saúde, o governo prevê usar escolas, quartéis da PM, estações de trem, terminais de ônibus, farmácias e sistemas de drive-thru para vacinar a população. O custo total da operação está estimado em R$ 100 milhões.

O governador João Doria (PSDB) afirma que a vacina não será restrita a moradores de São Paulo — ou seja, teoricamente, qualquer pessoa que esteja no estado poderia receber o imunizante. Dória também anunciou que 4 milhões de doses serão vendidas para outras regiões do Brasil; pelo menos oito estados já manifestaram interesse na vacina.

Anvisa

A CoronaVac está na fase 3 de testes — a última antes de ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aliás, o órgão regulador ainda não aprovou o uso do imunizante, já que o Instituto Butantan precisa enviar um relatório contendo dados dos testes conduzidos ao longo dos últimos meses. Técnicos da Anvisa, inclusive, visitaram a fábrica da Sinovac na China para checar as práticas de fabricação do medicamento. Em novembro, a agência chegou a interromper temporariamente os testes com a vacina do laboratório chinês.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o governo de São Paulo pretende buscar aprovação da Anvisa para uso emergencial. É diferente do registro sanitário, que autoriza por completo o uso de um imunizante, porém é uma forma de acelerar sua distribuição sem passar por todos os entraves necessários. “Nós daremos todos os elementos para nossa Anvisa para ela poder se pronunciar o mais rapidamente possível”, disse Covas.

Uma lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em fevereiro deste ano permite que vacinas sejam aprovadas sem necessariamente terem o registro da Anvisa. Por este motivo, o governo de São Paulo poderia se beneficiar dessa legislação, já que há insumos suficientes para a produção do imunizante.

Resultados

No final de novembro, o governo paulista divulgou um resultado preliminar do estudo da fase 3 da CoronaVac. A vacina já tinha se mostrado segura e gerado uma resposta imune durante as fases 1 e 2, quando foi constatada a produção de anticorpos em 97% dos pacientes. Os ensaios clínicos dessas duas fases contaram com 744 voluntários saudáveis de 18 a 59 anos e sem histórico de infecção pelo novo coronavírus.

[G1 1, 2, UOL 1, 2]