Outros humanos não são os únicos seres vivos afetados por seu hábito de fumar, alertam cientistas do Reino Unido. Uma nova pesquisa sugere que pelo menos algumas plantas não conseguem crescer tão bem na presença de bitucas de cigarro descartadas.

Pontas de cigarro – os filtros de plástico, geralmente marrons deixados para trás quando você termina de fumar – são uma fonte onipresente de poluição. Segundo alguns relatos, eles são a forma mais comum de lixo no mundo. No entanto, tem havido relativamente pouca pesquisa sobre os efeitos ambientais específicos que essas pontas podem ter na natureza, incluindo plantas.

Então, pesquisadores da Anglia Ruskin University, no Reino Unido, conduziram um experimento simples. Eles colocaram vários tipos de bitucas de cigarros – não-fumados, fumados e parcialmente fumados – em vasos de Lolium perenne (azevém perene) e Trifolium repens (trevo branco) recém-semeados. Eles então observaram as plantas crescerem e as compararam com plantas de controle com pedaços de madeira mais ou menos do mesmo tamanho e formato que as pontas deixadas para trás.

As chances de uma raiz individual crescer com sucesso a partir de uma semente (germinação) foram menores em média nos vasos com pontas, independentemente do tipo de bituca usada. Os brotos também ficaram atrofiados em ambas as plantas. E para o trevo, a massa total das raízes era menor do que nas plantas de controle.

Os resultados do estudo foram publicados este mês na Ecotoxicology and Environmental Safety.

“Apesar de ser uma visão comum nas ruas e parques espalhados pelo mundo, nosso estudo é o primeiro a mostrar o impacto das pontas de cigarro nas plantas. Nós descobrimos que tinham um efeito negativo sobre o sucesso de germinação e comprimento tanto do azevém como do trevo, e reduziu o peso da raiz do trevo em mais da metade”, disse a principal autora do estudo Dannielle Verde, bióloga da Anglia Ruskin, em um comunicado da universidade.

A causa provável do crescimento atrofiado dessas plantas é o plástico encontrado nos filtros, disseram os autores. Isso porque as plantas que foram expostas a filtros com alguns dos cigarros de tabaco ainda remanescentes eram tão atrofiadas quanto as plantas apenas com os filtros. Esses filtros, geralmente feitos de acetato de celulose, podem levar anos, se não décadas, para degradar totalmente no meio ambiente.

A indústria do tabaco, não é de se surpreender, tem sido relutante em assumir responsabilidade pela bagunça que seus produtos deixam para trás. E embora haja esforços contínuos para pressionar as empresas a usar filtros mais degradáveis, enfrentar os custos de limpá-las ou simplesmente proibi-las completamente, a atitude mais prática que os fumantes podem ter agora é perceber o dano que suas bitucas estão causando ao meio ambiente.

O trevo e o azevém, por exemplo, são comumente encontrados em parques e campos da cidade. E quando os pesquisadores se aventuraram em seus espaços verdes locais, eles não ficaram surpresos ao encontrar bitucas por todo o lado.

“Em alguns parques, especialmente próximo a bancos e lixeiras, encontramos mais de 100 pontas de cigarro por metro quadrado”, disse Green. “Jogar as pontas de cigarro no chão parece ser uma forma socialmente aceitável de poluição e precisamos conscientizar que os filtros não desaparecem e, em vez disso, podem causar sérios danos ao meio ambiente”.