É quase impossível criar um smartphone à prova de espionagem, mas há um dispositivo criado com a segurança em mente: é o Blackphone 2, da Silent Circle, que foi lançado hoje lá fora – e que consegue ao menos dificultar bastante a vida de quem quiser bisbilhotar a sua vida.

Em relação ao hardware, não há nada espetacular: tela Full-HD de 5,5 polegadas, processador Snapdragon 615 octa-core, 3 GB de RAM, 32 GB de armazenamento interno e entrada para cartão microSD, e uma câmera de 13 megapixels. Não é muito diferente do que outros dispositivos Android topo de linha oferecem. A diferença aqui está no software.



Ele usa um sistema operacional especial criado para proteger seus dados – que são, obviamente, criptografados. O aparelho tenta tapar alguns buracos de segurança que são deixados abertos em outros dispositivos Android. A forma como ele lida com as permissões de apps também é inteligente: em vez de forçar as pessoas a aceitarem ou recusarem o pedido de um app para acessar seus dados pessoais, ele permite que você escolha o que exatamente ele poderá ver.

E, claro, ele conta com uma suíte respeitável de recursos de privacidade: o PrivateOS 1.1 – um Android modificado – tem uma interface de usuário compartimentada, que coloca um muro virtual entre as coisas que você usa no trabalho e as coisas pessoais. Assim, o seu smartphone age de maneira diferente dependendo do modo que você entrar – no empresarial ele mostra as coisas de uma forma, e, no pessoal, de outra.

O Blackphone 2 é sucessor do Blackphone lançado no ano passado, que também prometia um foco em privacidade, mas o resultado final ficou um pouco abaixo do esperado. Ao que tudo indica, no entanto, a Silent Circle soube consertar algumas coisas para esse novo modelo.

Segundo a Forbes, o Blackphone 2 “faz muito bem em demonstrar o que todo smartphone que diz levar a segurança do usuário a sério deveria fazer”. Eles destacaram a possibilidade de definir permissões de apps individualmente – um recurso que será incluído no Android 6.0 Marshmallow -, assim como os diferentes perfis para uso pessoal ou corporativo.

Mas foi o recurso Smarter Wi-Fi o que mais chamou a atenção:

“Uma das minhas adições preferidas, no entanto, é o serviço Smarter Wi-Fi. A maioria dos usuários não faz ideia de que simplesmente conectar um smartphone a uma rede Wi-Fi pode revelar muita coisa sobre ele, constantemente divulgando os roteadores aos quais eles se conectaram no passado. Qualquer hacker que coletar esses dados – uma tarefa bem simples – pode usar serviços de localização Wi-Fi SSID como o Wigle para acompanhar a vida do usuário.

O Blackphone 2, por padrão, para de transmitir essas informações após um período quando o dispositivo não está conectado a um ponto de acesso confiável. Essa janela pode ser mudada, de cerca de 30 segundos a dois minutos. É uma pequena adição que também é uma boa forma de oferecer mais privacidade.”

Já a Wired gostou mesmo que ele é simples de usar – algo que todo smartphone com foco em privacidade deveria ser. Eles também destacaram bastante o modo de definição de permissão de apps. O sistema operacional do Blackphone 2 não simplesmente aceita o que o app diz que vai usar: todo o código do app é vasculhado em busca de coisas do seu aparelho que ele tentará acessar.

Assim, se você baixar um app com um malware por exemplo, o Blackphone 2 te avisará. E se um app de rede social quiser ter acesso a sua lista de chamadas telefônicas escondido, o aparelho mostrará nas opções de permissão que isso será feito, para que você consiga desativar se assim preferir.

Blackphone 2

Mas claro, nem tudo é perfeito. A Wired notou alguns problemas de desempenho – ele tem mais lags do que outros aparelhos na mesma categoria. Nada grave que torne o aparelho inutilizável, mas que o deixa abaixo de outros dispositivos com especificações técnicas parecidas.

Por fim, é bom dizer que o Blackphone 2 é caro: ele começou a ser vendido nos EUA por US$ 800 – é mais caro que o iPhone 6S por lá. Ele é voltado para empresas e esse é o preço da privacidade – mas talvez seja salgado demais. [TechCrunch, Forbes, Wired]