Blockchain simplificado: um guia para entender a tecnologia da criptomoeda

Para ninguém ficar fora dessa nova onda, listamos tudo o que é preciso saber sobre blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas. Confira!
Blockchain simplificado: um guia para entender a tecnologia da criptomoeda
Imagem: Pierre Borthiry/Unsplash/Reprodução

Imagine um grande livro que guarda todos os dados de transações feitas em criptomoedas: essa é a explicação mais simples para o que é blockchain, o protocolo que rege as moedas digitais protegidas por criptografia. 

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O funcionamento é parecido com a forma como a Internet possibilita o e-mail. Ou seja, o blockchain guarda dados que ficam em vários locais de uma mesma rede de computadores (daí o conceito de distribuído) e, depois de inseridos, não podem ser alterados (daí o conceito de imutável).

Imutabilidade e distribuição, inclusive, são os dois pilares centrais da blockchain. É o que dá segurança à tecnologia: por um lado, tudo o que está ali existe de verdade e, por outro, há proteção contra ataques na rede. 

Voltemos ao livro. Ali, cada transação ou registro fica guardado em um “bloco”. Por exemplo: um bloco na blockchain da Bitcoin guarda uma média de 500 transações na moeda. 

Cada bloco tem informações que dependem e se vinculam às informações do bloco anterior. Ao longo do tempo, elas formam uma cadeia de transações – por isso o nome “blockchain” (corrente de blocos, na tradução livre). 

Tá, e daí? 

A blockchain chama a atenção porque é uma carteira online sem qualquer vínculo com bancos. Mesmo assim, oferece segurança: não é possível que uma pessoa gaste uma moeda digital mais de uma vez ou diga que enviou 10 moedas quando, na verdade, enviou apenas uma. 

É uma forma de assegurar que aquele recurso existe mesmo, ainda que virtualmente, e sem as flutuações e taxas que afetam os bancos. Como a grande maioria dos blockchains é descentralizada, não há um ponto único de controle e todos os indivíduos podem acessar a rede. 

Mas a consequência disso é que as transações se tornam mais lentas. Não há como fazer uma compra na velocidade do cartão de crédito, por exemplo. O motivo: os computadores que mantêm a blockchain precisam fazer várias confirmações antes de validar uma transação, o que reduz a agilidade dos sistemas. 

Veja quantas validações cada blockchain pode fazer por segundo: 

  • Bitcoin: sete por segundo 
  • Ethereum: 30 por segundo 
  • Cartão de crédito: mais de 5.000 por segundo. Depende do cartão, é claro. A Visa, por exemplo, é capaz de processar até 24.000 transações por segundo. 

Como tudo começou 

Quem construiu o primeiro protocolo do tipo blockchain foi o criptógrafo David Chaum, em 1982. Mas a tecnologia só pegou mesmo em 2008, em um cenário de crise econômica mundial. 

À época, Satoshi Nakamoto (pseudônimo de um indivíduo ou grupo de pessoas, não se sabe) implementou a primeira rede pública de blockchain depois de criar o Bitcoin, a moeda digital pioneira. A ideia era prevenir a desvalorização do dinheiro e aumentar a confiança das transações financeiras na internet. 

Por isso, ninguém é dono da tecnologia. Ela funciona como a internet: pode ser usada por qualquer pessoa conectada à rede. 

Quatro tipos de blockchains 

1. Blockchain público 

São redes abertas e descentralizadas que podem ser acessadas por qualquer pessoa. Na blockchain do Bitcoin, por exemplo, o usuário paga uma taxa para a rede de computadores confirmar que sua transação é válida. Assim, o valor entra em uma “fila” que leva para os blocos. 

A partir daí, os computadores trabalham para validar todas as transações que estão para entrar no local. Eles resolvem um problema matemático complexo até chegar em um hash – número hexadecimal de 64 dígitos que se tornará a “impressão digital” do bloco. 

Qualquer informação que mudar dentro do bloco, também altera o hash. Isso ajuda a sinalizar possíveis erros ou fraudes no sistema, por exemplo. 

Por isso, é comum dizer que uma blockchain pública funciona por mecanismos de consenso. Na prática, trata-se de um processo de validação de transações em que terceiros conferem a disponibilidade das moedas no livro central. Entre esses mecanismos, os mais comuns são PoW e PoS.

  • PoW (Proof-of-Work): É o termo técnico do que conhecemos por “minerar criptomoeda”. Isso porque o PoW se baseia em criptografia com equações matemáticas que apenas computadores podem resolver. Por isso as discussões ambientais: mineradores ao redor do mundo deixam dezenas de milhares de máquinas funcionando ao mesmo tempo para verificar os livros de blockchain e, assim, lucrar com as recompensas que ganham no processo. Hoje é mais usado pela Bitcoin.
  • PoS (Proof-of-Stake): Também usa algoritmos criptográficos para a validação, mas o processo escolhe um validador que vai processar transações, armazenar informações e adicionar blocos. Como “pagamento”, os validadores recebem juros.

É aqui que ficam os mineradores de criptomoedas: eles validam as transações e, assim, recebem recompensas (geralmente em moedas digitais). A moeda Ethereum está migrando para este sistema. O motivo: quer reduzir os requisitos de energia para validar as transações e gerar novas moedas. 

2. Blockchain privado 

Tem restrições de acesso. Quem deseja ingressar precisa da permissão do administrador do sistema. É comum que sejam liderados por uma entidade, o que significa que são centralizados. Um exemplo de blockchain privado (e autorizado) é o Hyperledger, da Linux Foundation. 

3. Blockchain híbrida 

É uma combinação de blockchain público com privado. Ou seja, tem recursos centralizados e descentralizados. Alguns exemplos são Energy Web Foundation, Dragonchain e R3.

4. Sidechains 

Cadeia de blocos paralela à cadeia principal, permite que os usuários movam ativos digitais entre dois blockchains diferentes. Um exemplo é a Liquid Network.

Vantagens

Uma das características classificadas como “vantagens” da blockchain é o fato de que esse sistema elimina intermediários no processo bancário. Ou seja, não é preciso pagar para que bancos ou instituições financeiras processem as transações. 

O mesmo acontece para enviar pessoas que não estão no mesmo país: criptomoedas já podem ser enviadas diretamente para qualquer pessoa no mundo, a qualquer momento. 

A transparência também é um ponto a favor. Blockchains públicos, por exemplo, são softwares de código aberto. Por isso, qualquer pessoa pode acessá-los, visualizar suas transações e código-fonte. 

Desvantagens 

O impacto ambiental certamente é o primeiro da lista. No ano passado, o índice CBECI apontou que a mineração de bitcoins em todo mundo consome 86,6 terawatts (TWh) por ano – mais energia que países inteiros, como a Bélgica (81,2 TWh) e Finlândia (79,4 TWh). 

Um levantamento do site Digiconomist estimou que uma única transação de criptomoedas precisa de 1.449 kWh para ser concluída. Segundo dados de 2019 do EPE, isso daria para abastecer uma casa na região do Brasil por seis meses.

A demora nas transações também pode ser uma desvantagem. Esse é provavelmente o menor dos males: blockchains também são conhecidos por hospedar dinheiro de atividades ilegais. Mas não se engane: ali também existem pessoas e empresas que levam a tecnologia a sério. Só tente se informar bem antes de qualquer movimento – ou seu dinheiro se perderá para sempre. 

Outra desvantagem tem a ver com uma das maiores vantagens da blockchain: o fato de você mesmo controlar suas transações. Isso significa que, se você perder as chaves que dão acesso a sua carteira, não há recurso para recuperar a conta. Isso mesmo: seu dinheiro estará perdido para sempre. 

Essa possibilidade não é incomum. Em 2021, estimativas apontavam que 3,7 milhões de Bitcoins (ou 20% das moedas) estavam parados por que pessoas simplesmente perderam suas chaves de acesso. 

Julia Possa

Julia Possa

Jornalista e mestre em Linguística. Antes trabalhei no Poder360, A Referência e em jornais e emissoras de TV no interior do RS. Curiosa, gosto de falar sobre o lado político das coisas - em especial da tecnologia e cultura. Me acompanhe no Twitter: @juliamzps

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