Thomas Edison era conhecido pelas suas demonstrações públicas malucas, mas durante o Natal de 1880 ele apelou mais para o lado sentimental do que para o lado do choque. Naquele ano, em vez de eletrocutar um elefante, ele nos trouxe as primeiras luzes elétricas de Natal.

O show de luzes do feiticeiro
Ao final de 1880, Edison já estava bem resolvido com suas lâmpadas incandescentes e estava em busca de uma maneira de propagandeá-las. O artigo "Christmas Lights and Community Building in America" (Luzes de Natal e fundação comunitária nos EUA) [PDF], de Brian Murray, descreve o truque de marketing de Edison durante aquela época de festas. Para exibir a sua invenção como um meio de realçar a sua empolgação Yule, ele pendurou diversas lâmpadas incandescentes ao redor do seu laboratório no Parque Menlo [PDF] para que os passageiros da ferrovia que passava por perto pudessem ver o milagre de Natal. Mas, Edison sendo Edison, ele decidiu aumentar um pouquinho mais o desafio ao alimentar as luzes a partir de um gerador remoto a 13 quilômetros de distância.

Dois anos mais tarde, um colega de Edison chamado Edward Johnson exibiu a primeira árvore de Natal eletricamente iluminada em sua casa em Manhattan. O display, que à época era impressionante com as suas 80 luzes, envolveu uma árvore de Natal estilo Charlie Brown bastante simplória (é sério, dá uma olhada naquilo). E, como é de se esperar, a façanha de Johnson também tinha o intuito de servir de propaganda [PDF].

A tradição de alinhar luzes elétricas em fios pode ter iniciado como uma atividade natalina nos EUA, mas hoje é um fenômeno global usado por todos os tipos de festivais de inverno, mesmo os não-natalinos. É uma prática que já está pra lá de inserida na sociedade — basta chegar dezembro e elas estão por todas as partes. A evolução das luzes de Natal é semelhante à da lâmpada, com algumas variações incrivelmente ornamentadas — tá bom, vai, cafonas mesmo. Mas independente da sua aparência, uma coisa é certa: elas são uma opção muito melhor do que enfiar uma vela numa árvore.

No início, havia o fogo
Hoje nós olhamos para luzes de Natal e pensamos: "ah, estas são bonitas". Mas a tradição de acender luzes no Natal não começou com a proposta estética em mente. Dezembro, no hemisfério norte, é o mês mais escuro do ano e aquele com os dias mais curtos. As pessoas que viviam sem aquecimento central no século XII eram compreensivamente infelizes quando o Sol se punha e os jogava no profundo frio da noite. O artigo de Brian Murray nos diz que no inverno de 1184 foi a primeira iluminação registrada do Tronco Yule [PDF] na Alemanha. O tronco flamejante era visto como um símbolo da promessa do Sol retornar. E por acaso não fazia mal nenhum o fato de um enorme pedaço de madeira queimando ser excelente fonte de calor.

Existe toda uma história por trás da árvore de Natal, mas não entraremos neste ponto aqui. Mas, se você quiser saber mais a respeito, leia este guia (fato engraçado: elas eram originalmente dependuradas de cabeça pra baixo dos tetos — hilário). Encurtando a história comprida, os cristãos possuíam luzes, possuíam árvores, e no século XVII eles decidiram juntar ambas.

Infelizmente, a única maneira de acrescentar luzes de Natal a uma árvore na época era com velas. Obviamente, isto era uma péssima ideia. Tão ruim que, diferentemente de hoje, a árvore só seria preparada alguns poucos dias antes do Natal [PDF] e desmontada imediatamente depois. O artigo de Murray descreve como as velas permaneciam acesas por apenas alguns minutos por noite e mesmo assim as famílias se sentavam em torno da árvore para vigiá-la com baldes de areia e água por perto. É mais ou menos o equivalente arcaico de fazer fritura: as pessoas sabiam que isso poderia queimar a casa toda, mas faziam mesmo assim.

Quando era 1908, as companhias de seguro pararam de pagar pelos danos [PDF] provocados por incêndios de árvores de Natal. Cansaram de demonstrar que queimar velas de cera dependuradas a esmo de árvores secas dentro da sua própria casa não era algo seguro de se fazer. Nadinha. As luzes elétricas de Natal começaram a ser uma opção viável para alguns estadunidenses. Elas não eram perfeitas — lâmpadas incandescentes ficam bastante quentes e faíscas de fios danificados ainda são capazes de atear fogo a uma árvore seca — mas eram uma opção muito mais segura do que acender múltiplos focos de fogo tão próximo do seu combustível predileto.

Tenha em mente que quando eu digo "alguns estadunidenses", eu quero dizer os extremamente ricos. Em 1900, um único fio de luzes elétricas custava 12 dólares [PDF] — aproximadamente 300 dólares convertidos para dinheiro atual. Seria necessário levar a mágica da manufatura em massa para gerar aquelas vizinhanças inteiramente iluminadas que viriam a ser uma tradição nos EUA.

O surgimento das luzes cafonas
Em 1900, oito anos após a General Electric ter comprado os direitos de patente das lâmpadas de Edison, a primeira propaganda conhecida de luzes de árvore de Natal apareceu na revista Scientific American. Como eu disse, essas belezinhas não eram nada baratas. Elas eram tão caras que o anúncio sugeria alugar as luzes para um display de Natal.

Vinte e cinco anos depois, a demanda era alta. Havia 15 empresas no ramo de montagem de luzes de Natal e em 1925 elas formaram um consórcio chamado de NOMA Electric Corporation, a maior fabricante de luzes de Natal do mundo.

Apesar de a NOMA ter sido formada três anos antes da Grande Depressão, o seu apelo era grande o suficiente para sobreviver à catástrofe, tornando-se uma gigante que era sinônimo de luzes de Natal desde a Depressão até durante o Movimento pelos Direitos Civis. No entanto, a NOMA não se limitou a apenas dar continuidade à visão de Edison. Eles trabalharam duro para fascinar, tornando-se a maior fabricante do mundo da lâmpada borbulhante — possivelmente a primeira decoração cafona de Natal produzida em massa.

Apesar de a NOMA não existir mais, as suas lâmpadas borbulhantes psicodélicas ainda existem e são bem frequentes. Conforme descrito pelo JimOnLight.com, os coloridos invólucros plásticos redondos portam uma lâmpada que não é visível, enquanto um frasco em formato de vela com líquido cristalino dentro se projeta para cima. Conforme a lâmpada aquece, o líquido – geralmente cloreto de metileno, uma sustância química com baixo ponto de ebulição – também se aquece, de modo que o frasco borbulhe, tremeluzindo como a vela que ela supostamente substitui.

Em 1968, a NOMA Electric Company parou de fabricar lâmpadas e as luzes borbulhantes tornaram-se uma espécie de raridade, que logo se juntariam à horda de luzes de Natal com os mais ridículos formatos, entre elas pimentas, flamingos e até as ridículas latinhas de cerveja e a versão miniaturizada daquela perna do filme Uma História de Natal, conforme vocês podem ver no site JimOnLight.com.

     

Com a NOMA, a caixa de Pandora da cafonice havia sido aberta, e até pessoas que não correram atrás das lâmpadas borbulhantes ou suas sucessoras chinesas fizeram maravilhas com os conjuntos decididamente mais padronizados que todos conhecemos atualmente. Quando elas passaram a ser à prova de chuva e vento para uso externo, era apenas uma questão de tempo até elas serem pregadas a cada centímetro quadrado de tudo quanto é casa, lareira, árvore e até mesmo caminhão.

     

As luzes que você conhece e ama
Luzes incandescentes são as que deram início a tudo. Mesmo elas existindo já há mais de um século, a tecnologia permanece basicamente a mesma. Por outro lado, os formatos e tamanhos das lâmpadas têm sofrido constante alteração. Agora temos três principais tipos de lâmpadas incandescentes de Natal, conforme descrito pelo excelente guia no JimOnLight.com:

A mini lâmpada feérica: esta é a grande vedete. Se você nunca viu uma destas, então provavelmente você nunca viu luzes de Natal. Tradicionalmente, o conjunto é disposto em um fio em série, e por isso o antiquíssimo problema de uma lâmpada queimar e o resto da série não acender. Mas não é difícil encontrar conjuntos que sejam dispostos em paralelo atualmente.

Estas belezinhas também têm um sistema de cintilação de baixa fidelidade embutido. Aquela pequena lâmpada vermelha que vem em todo conjunto é feita de maneira que, conforme seu filamento se aquece, ela sobe e quebra o circuito. Isto, é claro, apaga o resto das luzes. Quando ela se resfria, ela cai novamente e completa o circuito e as luzes voltam a se acender. Introdução à Física I.

C7: novamente, uma luz incandescente que vem em um invólucro de vidro de tamanho diferente. Estas são aproximadamente do tamanho do seu polegar e funciona basicamente da exata mesma maneira que as mini lâmpadas.

 

 

 

 

 
C9: tá, você já entendeu como funciona. Mesmo formato que a C7, só que ligeiramente maior.

 

 

 

 

 

Luzes LED têm ficado cada vez mais populares nos últimos anos. Independente do que você pensa a respeito da potência deste tipo de luz, não há como negar que elas são muito mais eficientes no consumo de energia que as lâmpadas incandescentes, além de liberarem menos calor. E, quem sabe, talvez algum dia elas tenham a mesma temperatura de cor que a boa e velha iluminação por tungstênio. Até lá, eis o que você estará vendo, novamente de acordo com o guia no JimOnLight.com:

5mm: estas são as equivalentes em LED das mini lâmpadas incandescentes. Elas são pequenas lâmpadas LED em um revestimento plástico. Geralmente o nível de “branco” é beeeeem longe do “branco” das luzes incandescentes.

 

 

 

 

 
G12 e G25: exatamente como nas luzes incandescentes, você encontrará muito do mesmo com as LEDs, apenas em diferentes formatos e tamanhos. Estes são invólucros plásticos com formato de globo (na foto é a G12).

 

 

 

 

C7: você já viu destas antes, exceto que agora tem um LED dentro.

Você verá um monte de designs malucos de luzes por aí, mas como diz o excelente guia do Jim, 99,9% são apenas invólucros plásticos iluminados por estes tipos de lâmpadas.

 

 

 

 

Distância das velas
A fundação básica da luz de Natal, a lâmpada incandescente, permaneceu praticamente inalterada por quase um século e só agora está passando por sua primeira grande revolução conforme começamos a substituir nossas antigas luzes de tungstênio por LEDs, mais eficientes no consumo de energia. Ainda assim, durante este mesmo período, nós passamos da prática de enfiar velas em chamas dentro de uma árvore para a criação de enormes – e completamente excessivos – displays de luzes controlados por computador, como este:

Uma coisa é certa: independente da tecnologia que tenhamos em mãos, independente da razão para celebrar, o desejo humano por se acender árvores e casas na fria escuridão dos meses de inverno (ou mesmo para nós do hemisfério sul e nossos superaquecidos meses de verão) para sempre serão uma fonte para incrível – e muitas vezes hilária – inovação.

Nota do editor: uma das melhores fontes que encontrei para este guia veio do JimOnLight.com. O dele é uma série em seis partes, as primeiras três consultadas por mim antes de escrever este artigo. Se você quiser ler mais sobre o assunto, dê uma olhada nas seguintes fontes:

Parte 1: História das luzes de Natal
Parte 2: Tamanhos e tipos de lâmpadas modernas
Parte 3: Fatores de forma das luzes de Natal
Parte 4: Segurança e alimentação das luzes de Natal (novo)

Eu também citei as seguintes fontes dentro do artigo:
“Luzes de Natal e fundação comunitária nos EUA” de Brian Murray [PDF] (uma leitura muito bacana)
A história da NOMA
Linha do tempo da iluminação de Natal americana
História cronológica da árvore de Natal
A história das lâmpadas borbulhantes

E estes sites eu consultei enquanto pesquisava sobre o assunto:
A história das luzes de Natal
A invenção das luzes de árvore de Natal
Quem inventou as luzes elétricas de Natal?

Como você pode ver, nós usamos múltiplas fontes para gerar este artigo.

Imagem do topo via jspad
Imagem da lâmpada borbulhante via
Corey Ann