Pesquisadores do Harvard–Smithsonian Center for Astrophysics (CfA) identificaram um buraco negro supermassivo em movimento. A descoberta foi publicada na última sexta-feira (12) no Astrophysical Journal.

A observação desta rara ocorrência foi fruto de estudos realizados nos últimos cinco anos, com buracos negros que apresentavam água em seus discos de acreção, estruturas espirais que giram em direção ao buraco negro. Aliás, se você tiver alguma dúvida sobre estes objetos que tanto desafiam a comunidade científica, em especial sobre sua formação, temos este texto bem interessante que pode te ajudar.

Utilizando a técnica de interferometria de linha de base muito longa (VLBI, sigla em inglês) — um meio de extração de informações de ondas de rádio que possam contribuir com uma visualização espacial em alta qualidade — a partir dos observatórios Arecibo e Gemini, a equipe responsável pelos estudos averiguou que, de dez buracos negros analisados, um deles não estava em estado de repouso, resultando no que eles chamam de “grande achado”.

Situado a 230 milhões de anos-luz de distância da Terra, o buraco negro encontrado fica no centro de uma galáxia espiral barrada (SB) chamada J0437 + 2456. Sua massa é cerca de três milhões de vezes maior do que o nosso Sol. Sua movimentação calculada através do VLBR, chegou a uma velocidade de cerca de 177.000 quilômetros por hora.

“Não esperamos que a maioria dos buracos negros supermassivos se movam; eles geralmente se contentam em ficar parados”, disse Dominic Pesce, astrônomo que liderou o estudo, em comunicado do Center For Astrophysics Harvard & Smithsonian. “Eles são tão pesados ​​que é difícil colocá-los em movimento. Considere a dificuldade em chutar uma bola de boliche ao invés de chutar uma bola de futebol — percebendo que, neste caso, a ‘bola de boliche’ tem vários milhões de vezes a massa do nosso Sol. Isso iria exigir um chute bem poderoso.”

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Com muitas dúvidas a respeito do que estaria gerando esta movimentação atípica, a equipe de Pesce já criou algumas especulações que poderiam explicar tal fenômeno, conforme descrito no documento: o primeiro caso seria a fusão de dois buracos negros, o que levaria ao movimento de recuo ou acomodação de um deles, o que normalmente ocorre em um buraco negro recém-surgido. Já a segunda opção é algo ainda mais grandioso e igualmente raro: o buraco negro pode ser uma parte de um sistema binário. “O que poderíamos ver em J0437+2456 é um dos buracos negros em um par, com o outro permanecendo oculto para nossas observações de rádio por causa de sua falta de emissão de radiação”, afirma Pesce.

Os buracos negros ainda são um mistério para os astrônomos, com descobertas que cada vez mais desafiam os limites do que pode ser obtido, como os 25 mil buracos negros supermassivos e ativos mapeados ou a busca pelos buracos negros primordiais, que podem explicar a matéria escura. Por isso, de acordo com Pesce, ainda existe muito trabalho a ser produzido, mesmo que a descoberta já seja um grande feito.