O ano mal começou e já está se mostrando desafiante para o Microsoft Bing. Nesta quarta-feira (23), o buscador da companhia parou de funcionar na China, mesmo com o comprometimento da companhia de censurar resultados de busca.

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Após consultar duas fontes, o Financial Times apurou que o Bing foi proibido de funcionar no país após uma ordem do governo chinês. Embora não esteja claro o que causou o banimento, a operadora chinesa estatal China Unicom pode ter recebido uma ordem de excluir o acesso ao mecanismo de busca Bing por motivos de censura, informou a publicação britânica.

Um porta-voz da Microsoft disse ao Gizmodo em um comunicado por e-mail que “confirmou que o Bing está inacessível na China e que a empresa está comprometida para determinar os próximos passos.”

A maioria das fontes que usamos para consumir notícia no ocidente já está bloqueada na China, incluindo redes sociais como o Facebook e o Twitter. O Financial Times observa que a Microsoft foi uma das últimas ferramentas de busca estrangeira a ter presença no país. O Google tirou seu mecanismo de busca do país em 2010 — e a decisão de continuar dessa forma ou não já foi bastante discutida internamente na empresa.

Como nota o Verge, o bloqueio do Bing levanta sérias questões sobre o futuro do Project Dragonfly, do Google, que consiste em uma ferramenta de busca censurada para o mercado chinês. O projeto foi alvo de crítica de ativistas e funcionários do Google — mais de 600 assinaram uma carta aberta em novembro pedindo que a liderança da companhia terminasse o desenvolvimento do projeto.

“O governo chinês certamente não está sozinho em seu preparo para coibir a liberdade de expressão, e usar vigilância para reprimir dissidentes”, diz a carta. “O Dragonfly na China estabeleceria um perigoso precedente em um momento político volátil, o que tornaria difícil para o Google negar a outros países concessões similares.”

O CEO do Google, Sundar Pichai — que defende uma busca censurada do Google na China como uma opção melhor do que não oferecer o serviço — disse durante uma audiência no Comitê Judiciário da Câmara dos EUA em dezembro que, por ora, a empresa não tinha planos de lançar um produto deste tipo. No entanto, pelo jogo de palavras utilizado, ficou subentendido que o projeto não foi absolutamente descartado.

Além de aparentemente ser barrado na China, este não foi um bom mês para o Bing. Há algumas semanas, a companhia foi alvo de críticas após uma reportagem do TechCrunch dizer que o mecanismo de busca estava mostrando pornografia infantil em seus resultados.

[The Verge, Financial Times]