É provável que os residentes da Califórnia façam muito mais viagens de Uber e Lyft em veículos elétricos nos próximos anos. Como parte das iniciativas para promover ar limpo, o estado deve determinar que quase todos os veículos usados ​​por motoristas que trabalham para empresas de compartilhamento de caronas sejam elétricos até 2030.

A proposta do California Air Resources Board (CARB), anunciada no final do mês passado e que deve ser decidida no próximo mês, aumentaria lentamente os padrões de quilometragem para empresas de compartilhamento de viagens ao obrigar um certo número de quilômetros anuais percorridos com veículos elétricos. Os requisitos começariam exigindo que 2% de todos os quilômetros anuais dirigidos por empresas de compartilhamento de caronas fossem em veículos elétricos em 2023, aumentando para 30% em 2026, depois para 50% em 2027 e chegando a 90% em 2030. Isso representa um avanço em relação ao ano passado, quando o CARB considerou a obrigatoriedade de que 60% dos quilômetros percorridos fossem de veículos elétricos até 2030.

O CARB descobriu que, em 2018, veículos compartilhados como Uber e Lyft representaram 1% das emissões totais do estado de veículos que comportam passageiros naquele ano. Isso pode não parecer muito, mas os carros são alvo de muita discussão na Califórnia. Os veículos que comportam passageiros representam um terço das emissões totais do estado, à frente de outros grandes setores emissores, como pecuária e usinas elétricas.

A mudança para regular as emissões de corridas compartilhadas é apenas parte de um esforço maior do estado para controlar a poluição gerada por veículos. Em setembro, o governador Gavin Newsom emitiu uma ordem executiva para que todos os veículos vendidos no estado fossem elétricos até 2035, o que poderia reduzir as emissões gerais do estado em 35%.

Embora as empresas tenham promovido no passado as opções de caronas compartilhadas, como o Uber Pool, como uma opção ecologicamente correta, um estudo realizado no ano passado pela Union of Concerned Scientists descobriu que as viagens de Uber e Lyft geraram quase 70% mais emissões do que as viagens particulares que elas substituíram. O estudo calculou que uma viagem solo em um carro compartilhado gerou em média 50% mais emissões do que se a pessoa tivesse usado seu próprio carro, principalmente devido ao fato de o veículo compartilhado dirigir de um lado para outro sem passageiros entre as viagens.

Enquanto isso, as corridas compartilhadas que as empresas disseram ser opções mais ecológicas, na verdade, geraram cerca da mesma quantidade de emissões que uma viagem normal de carro. E com a pandemia interrompendo temporariamente essas opções, é provável que quando as pessoas usarem o Uber ou o Lyft, a maioria não optará por passeios em grupo no futuro próximo — o que significa que estamos ainda mais propensos a fazer aquelas viagens solo com emissões intensas.

Talvez sentindo a revolução dos veículos elétricos que se aproxima — e talvez também aproveitando para promover sua imagem, após alguns anos de críticas por parte da imprensa — Uber e Lyft fizeram suas próprias grandes promessas elétricas. Ambas disseram no ano passado que todas as corridas nos EUA até 2030 seriam 100% em veículos elétricos. Mas a Lyft também afirmou ser neutra em carbono porque compra offsets (mecanismos de compensação de carbono), e ambas lutaram contra outras regulamentações.

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Outra coisa que os reguladores talvez precisem estar atentos, especialmente considerando o histórico das empresas de compartilhamento de viagens de pegar atalhos e desrespeitar os motoristas, é como essas companhias planejam lançar suas novas frotas de veículos elétricos, principalmente como elas incentivam os motoristas — e se isso vai funcionar direito. O relatório do CARB admite que a agência “[não] sabe as estratégias exatas que as TNCs [empresas de rede de transporte] usarão, nem como os modelos de negócios das TNCs podem evoluir no futuro”.

Mas a agência disse esperar que as metas mais baixas nos primeiros anos ajudem as empresas a auxiliar os motoristas, especialmente em áreas de baixa renda, a adquirir veículos elétricos. Enquanto isso, a Bloomberg Green relatou no mês passado que a Uber estava devendo pagamentos que havia prometido aos motoristas como incentivos para mudar para veículos elétricos. Como vimos com empresas desse setor antes, fazer promessas é fácil — cumpri-las é que é complicado.