O caos das operadoras continua e até agora nada do que Claro, Oi e TIM fizeram foi capaz de reverter a suspensão na venda de novos planos. Prontos para mais um capítulo da novela?

Antes, uma curiosidade: Paulo Bernardo é cliente da TIM, segundo a Folha. Em mais uma declaração, o Ministro das Comunicações bateu forte na sua operadora dizendo que, sem conectividade 3G, o smartphone vira um “telefone burro”. Em outro trecho, ele fez coro a milhões de brasileiros:

“O dia todo não pegava a rede 3G em Brasília. Então, nós não estamos querendo personalizar, demonizar a empresa, mas as deficiências estão saltando aos olhos. (…) Não temos nada contra a TIM, a não ser nesse momento, que a qualidade não esta no nível mínimo.”

Questionado sobre a decisão da TIM de entrar com um mandado de segurança para impedir que a suspensão das vendas entrasse em vigor, Bernardo disse que não tem problemas com isso, que recorrer à justiça é um direito de todos e que a ação não atrapalhará o diálogo da operadora com a Anatel.

O mandado, aliás, foi negado.

Apesar da suspensão estar em vigor, há denúncias de que em bancas de jornais e camelôs SIM cards das operadoras afetadas pela decisão da Anatel estejam sendo vendidos. Bruno Ramos, superintendente de Serviços Privados da Anatel, confirmou que a suspensão vale para todas as revendas e que caso alguém tenha comprado algum chip, que “voltem e tentem devolver” o produto:

“A suspensão tanto de comercialização quanto de habilitação é de responsabilidade das empresas. Tem de ter condição de informar seus postos de venda sobre isso. Se ocorreu alguma falha, será feito dentro de um correto processo adminstrativo dentro da Anatel. Será aberto um procedimento de apuração e um procedimento adminstrativo com abetura se a empresa está cumprindo ou não.”

A Anatel está investigando e garantiu que graças à fiscalização nas centrais das empresas, tem como saber se as habilitações estão sendo realizadas ou não. Independente disso, sanções podem ocorrer. Bruno Ramos, novamente:

“Temos a fiscalização da Anatel nas centrais das empresas e é muito fácil verificar se ocorreram novas habilitações. Já a suspensão de vendas em todos os pontos – incluindo bancas de revistas e quiosques – é de responsabilidade das empresas, que têm que informar a suspensão aos revendedores. (…) Será aberto um procedimento de apuração sobre a venda chips e será avaliado se cabe sanção ou não.”

Várias reuniões entre Anatel e operadoras estão acontecendo no decorrer dessa semana. A TIM apresentou um plano de investimento de 800 páginas (!), mas de acordo com Ramos “faltaram detalhes” como, por exemplo, se a projeção de crescimento de demanda será atendida com investimentos em equipamentos e call centers.

Paulo Bernardo acredita que a suspensão deverá vigorar por 10~15 dias, prazo dentro do qual ele espera as operadoras apresentem planos concretos e a aprovação da Anatel — a queda da suspensão continua condicionada à aprovação dos planos de investimentos das operadoras. [Folha, Teletime, G1, Estadão, Correio do Estado. Foto: yum9me/Flickr]