Em uma tentativa de tranquilizar o público de que a Boeing corrigiu os problemas da linha de aviões 737 Max, o chefe da FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA), Steve Dickson, assumirá pessoalmente os controles para um voo de teste na próxima semana, de acordo com a Bloomberg.

Todos os 737 Max em operação deixaram de voar no ano passado depois de dois voos separados, Lion Air Flight 610 e Ethiopian Airlines Flight 302, terem caído e matado um total de 346 pessoas. A Boeing já admitiu que os acidentes estavam relacionados ao MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), um sistema instalado para compensar os pesados motores do avião que dependiam de um único sensor de ângulo de ataque, que determina se o avião tem sustentação suficiente para continuar voando.



O MCAS pode ser acionado devido a leituras errôneas e direcionar um avião para um mergulho. Um piloto treinado corretamente poderia corrigir isso, mas uma série de mudanças abruptas de design do MCAS que a Boeing deixou de fora do manual, uma falha em notificar adequadamente os pilotos de como o sistema funcionava e erros em cascata de um sensor defeituoso provavelmente contribuíram para os acidentes. A empresa também vetou a adição de um sistema de velocidade no ar sintético à prova de falhas, o que pode ter alertado os pilotos sobre o problema do sensor original.

Investigadores do Comitê de Transporte e Infraestrutura da Câmara dos EUA determinaram que os desastres foram causados pelos “extensos esforços da Boeing para cortar custos, manter o cronograma do programa 737 Max e evitar a desaceleração da linha de produção do 737 Max”. Eles também criticaram a FAA por aprovar os sistemas de design arriscados da Boeing, dizendo: “A delegação excessiva da FAA de funções de certificação para a Boeing no 737 Max corroeram a eficácia de supervisão da FAA e a segurança do público”.

Steve Dickson, presidente da FAA. Crédito: raeme Jennings/Pool/Getty ImagesSteve Dickson, administrador da FAA. Crédito: raeme Jennings/Pool/Getty Images

O comitê acrescentou que havia descoberto “problemas abrangentes e sistêmicos que giram em torno da capacidade da FAA de se envolver efetivamente na atividade regulatória”, como delegar responsabilidades a funcionários da indústria com conflitos de interesses inerentes.

Em outras palavras, a relação entre FAA e a Boeing foi um exemplo clássico de captura regulatória, em que uma porta giratória entre a indústria e os reguladores garante que pouca regulação seja feita. Em junho, membros do Comitê de Comércio do Senado acusaram Dickson de bloquear as investigações do Congresso sobre o Boeing 737 Max e a relação íntima do fabricante com a agência, retendo documentos.

A Boeing tem procurado colocar a linha 737 Max de volta ao ar com mudanças para evitar que o MCAS seja ativado repetidamente ou não funcione bem, além de um sistema de controle de vôo atualizado.

É necessária a aprovação da FAA para que os aviões voltem ao serviço, e Dickson declarou no passado que voaria pessoalmente em um dos aviões antes que qualquer decisão fosse tomada.

A CNBC informou que a FAA disse aos legisladores que o vôo será realizado na próxima semana, depois que Dickson passar por um curso de treinamento em um simulador com o seu vice na agência, Daniel Elwell.

Segundo uma outra reportagem da Bloomberg do início da semana, o Sindicato dos Controladores de Voos dos EUA (NATCA, na sigla em inglês), que representa os engenheiros de certificação da FAA, enviou comentários sobre a proposta de redesenho da Boeing argumentando que as mudanças não resolveriam o problema do ponto único de falha e não traria melhorias suficientes para o sistema de alerta da cabine. A entidade acrescentou que o novo design “não está em conformidade” com os regulamentos da FAA.