No início deste mês, um departamento de polícia do sudoeste da China recebeu seu mais novo estagiário canino. Normalmente, isso não seria notícia, exceto que esse filhote foi o primeiro cachorro policial clonado da China, de acordo com a mídia estatal chinesa.

A cadela de dois meses de idade se chama Kunxun e é um cão-lobo de Kunming clonado de um cão policial veterano de sete anos de idade chamado Huahuangma. Kunxun foi clonada por meio de uma amostra de pele somática em 12 de setembro do ano passado, sendo então levada de volta para Pequim, onde um embrião foi então implantado num beagle fêmea.

O programa em si foi criado pelo Ministério de Segurança Pública da China e liderado pela base de cães policias de Kunming, pela Universidade Agrícola de Yunnan e pela Beijing Sinogene Biotechnology Co Ltd. A Sinogene não é nenhuma novata nesse negócio de clonagem de cães — na verdade, ela foi a primeira empresa de biotecnologia na China a fornecer serviços de clonagem de animais de estimação. No ano passado, também clonou um filhote de cachorro famoso chamado Juice — e cobra cerca de R$ 220 mil para clonar animais de estimação.

Embora Kunxun não seja a primeiro cadela clonada, é um pouco preocupante ouvir que a principal razão para sua criação tenha sido o objetivo de reduzir o tempo e os custos envolvidos no treinamento de cães policiais, de acordo com a agência de notícias Xinhua. Segundo o China Daily, jornal de língua inglesa dirigido pelo Partido Comunista da China, o treinamento de cães policiais no país leva entre quatro e cinco anos, custando em torno de R$ 290 mil.

“A clonagem de cães policiais está em fase experimental. Espera-se que possamos produzir em massa cães policiais clonados de bom desempenho à medida que as técnicas amadurecem nos próximos dez anos”, disse Wan Jiusheng, pesquisador da base de cães policiais de Kunming, ao China Daily. “O programa também planeja estabelecer um banco de células somáticas de cães policiais de bom desempenho que podem ser preservadas por 50 anos e um grupo de cães policiais de bom desempenho para a procriação rápida de bons cães policiais”.

Hum… Legal. Isso não parece nem um pouco com eugenia canina de algum filme de ficção científica, não mesmo… Exceto que há pouca razão para acreditar que o clone de um cachorro se comportará exatamente como seu progenitor, mesmo que eles compartilhem a mesma genética. E os clones não retêm, aliás, memórias de seus antecessores.

A cantora Barbra Streisand notoriamente clonou sua cadela, Samantha, só para depois descobrir que os cães resultantes tinham personalidades diferentes. Em um artigo publicado no New York Times, Streisand admitiu que “você pode clonar a aparência de um cachorro, mas não pode clonar a alma”. Ainda assim, é possível que o clone do cachorro possa vir a ser mais receptivo ao treino do que outros.

Outro problema em potencial com a ideia de clonagem de animais “geneticamente superiores” por razões industriais ou de serviço é que não está exatamente claro se os animais clonados sofrem de envelhecimento acelerado. Dolly, a primeira ovelha clonada, morreu aos seis anos de idade, o que, segundo o Smithsonian, é metade da idade média de uma ovelha normal. Porém, mais tarde, os cientistas descobriram que suas origens de clonagem não contribuíram para sua morte prematura. Entretanto, o primeiro cão clonado, Snuppy, viveu durante dez anos, mas acabou morrendo do mesmo câncer que matou seu pai. Existe atualmente um estudo que monitora os descendentes do Snuppy para acompanhar a saúde e a vida útil dos animais clonados.

Quanto à Kunxun, ela acabou de entrar no treinamento e, supostamente, se você acredita em mídia estatal, tem mostrado “boa aptidão” em testes para farejar, detectar e se adaptar a ambientes desconhecidos. Boa garota?

[Xinhua, China Daily via Motherboard]