Segundo o jornal The New York Times, autoridades chinesas têm promovido uma extensa campanha global para manipular a imagem da China nas redes sociais ao redor do mundo.

A acusação tem como base uma série de documentos a qual o jornal teve acesso. Neles, foi constatado que uma divisão da polícia de Xangai postou um anúncio online recente para buscar empresas privadas de tecnologia especializadas em “gestão da opinião pública”.

Inicialmente, a ideia era que a atuação fosse focada apenas nas redes sociais domésticas, moldando ativamente a opinião pública local por meio de censura e disseminação de posts falsos. Entretanto, esse trabalho também foi expandido para além da China, com o departamento de polícia enfatizando que a tarefa era considerada urgente.

Censura chinesa

Utilizando-se do Facebook e Twitter, essas empresas começaram a criar centenas de perfis falsos para gerar conteúdos e atrair seguidores.

O trabalho também envolve identificar aqueles críticos que vem acusando a China de promover abusos aos direitos humanos, incluindo saber quem são e onde vivem.

Também há campanhas para deter usuários chineses que burlam os bloqueios do governo para criar contas no Twitter, inclusive para aqueles que vivem fora da China.

Conteúdos pró-China

Boa parte do conteúdo gerado é feito por uma rede de robôs que geram postagens automáticas utilizando-se de perfis difíceis de localizar.

Para dar credibilidade para as postagens pró-China, as empresas focam em engajamento, enganando as pessoas e reforçando o número de likes em posts. Assim, o fluxo de tráfego gerado aumenta as chances de publicações serem mostradas por algoritmos de recomendação em redes sociais e sites de busca.

Apesar do trabalho do Facebook e Twitter em deletar contas falsas, o jornal afirma que esse esforço dos robôs tem sido feito há pelo menos dois anos.

Quando o The New York Times questionou as autoridades chinesas, os documentos foram retirados do ar. O Departamento de Segurança Pública de Xangai não respondeu ao noticiário.