A China ordenou neste domingo (4) a remoção do DiDi das lojas de aplicativos para celular. De acordo com autoridades locais, o app de transporte, que tem como dona a startup Didi Chuxing — que adquiriu da divisão Uber China no país e da 99 no Brasil —, violou diversas leis em torno da coleta e uso de dados pessoais dos usuários. Vale ressaltar que o problema é específico da China e não há relatos da prática com a 99 por aqui.

O anúncio foi feito pela Administração do Ciberespaço da China (ACC). Na sexta-feira passada (2), a entidade revelou que estava conduzindo uma revisão da segurança cibernética da Didi Chuxing, exigindo que ela parasse de registrar novos usuários. O órgão regulador também obrigou que a Didi siga os requisitos legais e retifique os problemas existentes para proteger a segurança das informações pessoais dos usuários.

Na rede social chinesa Weibo, a startup respondeu à decisão da ACC, dizendo que trabalharia para corrigir os problemas identificados pelo regulador. Afirmou ainda que os usuários que já fizeram o download do aplicativo, incluindo passageiros e motoristas, poderão utilizá-lo normalmente durante esse processo.

“A Didi implementa resolutamente os requisitos dos departamentos estaduais relevantes e suspendeu o registro de novos usuários em 3 de julho, e o aplicativo Didi Travel será removido das prateleiras para retificação em estrita conformidade com os requisitos dos departamentos relevantes”, disse a empresa.

Em um comunicado enviado ao Wall Street Journal, a Didi declarou que cooperaria totalmente com a revisão da segurança cibernética do governo e realizaria uma “análise abrangente dos riscos de segurança cibernética”. Ela se comprometeu a melhorar continuamente seus sistemas de segurança e capacidades tecnológicas.

Assine a newsletter do Gizmodo

A Administração do Ciberespaço da China confirmou que sua revisão do aplicativo Didi visa prevenir riscos relacionados à segurança nacional de dados. No entanto, a China pode ter outros motivos para reprimir a ferramenta. A Bloomberg relata que o país tem trabalhado para comandar e monitorar as maiores corporações baseadas em tecnologia e internet. Isso envolve o foco na propriedade e no manuseio das informações que empresas online, como a Alibaba e a Tencent, que coletam de centenas de milhões de usuários diariamente.

O bloqueio ao app Didi ocorre dias depois da empresa abrir capital em US$ 4,4 bilhões, a maior oferta pública inicial de ações de uma empresa chinesa desde que o Alibaba abriu  com US$ 25 bilhões em 2014.