Os EUA e a China têm travado uma disputa acirrada na atual guerra comercial entre os dois países, mas os fabricantes de chips chineses estão dizendo que será impossível atingir as metas nacionais da China sem acesso à tecnologia americana, publicou o Nikkei Asian Review.

Em uma tentativa de impulsionar seu mercado interno – e convenientemente se afastar da dependência externa – Pequim definiu metas ambiciosas para obter 40% de todos os chips usados ​​pela indústria chinesa até 2020, e elevar para 70% até 2025. No entanto, líderes da indústria estão céticos quanto a capacidade de esses objetivos serem alcançados sem a tecnologia dos EUA.

Segundo o Nikkei, a taxa de autossuficiência entre os fabricantes de chips chineses foi de apenas 15% em 2018. Fontes citadas na matéria, sob condição de anonimato, também afirmaram que a lacuna entre o mercado nascente da China e o mercado mais maduro dos EUA é grande demais para ser superada em tão pouco tempo. “Se perdermos o acesso ao software dos EUA ou não pudermos mais receber atualizações, nosso desenvolvimento de chips se encontrará em um beco sem saída”, teria dito um fabricante chinês de chip de inteligência artificial ao Nikkei.

Parte do problema é que a cadeia de suprimentos global é – como o nome indica – extremamente interconectada. Outra é que muitas empresas chinesas ainda preferem chips importados em detrimento daqueles feitos domesticamente. Isso se deve à produção limitada, que faz com que os chips chineses custem mais, e ao fato de que muitas empresas – especialmente aquelas que exigem sistemas estáveis ​​como os bancos – simplesmente confiem mais nos fabricantes de chips dos EUA, porque existem há mais tempo. “Mesmo que os chips da Huawei funcionem tão bem quanto os chips da Qualcomm, acreditamos que a Qualcomm é uma aposta mais segura por causa de suas décadas de experiência em fabricação de chips”, disse um executivo chinês de uma empresa especializada em software bancário ao Nikkei.

Mesmo que Pequim tenha feito uma demonstração de apoio aos fabricantes de chips nacionais em projetos militares e governamentais, a repressão dos EUA à tecnologia chinesa, especialmente a Huawei, claramente custará caro. A Nikkei relatou que a receita deve crescer 17,9% este ano, para cerca de US$ 42,9 bilhões, mas também é a primeira vez desde 2014 que a taxa caiu abaixo de 20%.

Neste momento, perder de vista seus objetivos provavelmente não é a maior prioridade para Pequim – mas é jogar sal na ferida. Desde que a administração de Trump colocou a Huawei em sua lista negra em maio, citando preocupações de que a empresa estava muito próxima do governo da China, as tensões aumentaram. Gigantes da tecnologia dos EUA cortaram laços com a Huawei , incluindo Intel, Broadcom, Qualcomm, Xilinx e Infineon.

Enquanto isso, o Google informou que fornecerá atualizações de software e segurança à Huawei por um período limitado de 90 dias. Do seu lado, o governo chinês ameaçou reforçar o controle sobre metais de terras raras e criou uma “lista de entidades não confiáveis” de empresas estrangeiras em retaliação ao banimento da Huawei. Mais recentemente, a administração de Trump supostamente está considerando exigir que todos os equipamentos de telecomunicações 5G instalados nos EUA sejam fabricados fora da China.

É difícil prever quais serão as repercussões das relações tecnológicas dos Estados Unidos e da China. No curto prazo, no entanto, você pode apostar que isso já está causando dores de cabeça para empresas de ambos os lados do Pacífico. A Apple está pensando em transferir entre 15% e 30% da produção para fora da China, enquanto a Huawei teve que cancelar o lançamento de seu novo laptop MateBook. Até mesmo a FedEx está irritada – ela está processando o governo dos EUA pelas restrições da Huawei, pois não é capaz de verificar o conteúdo de cada pacote recebido.

[Nikkei Asian Review]