X, a iniciativa do Google que tenta desenvolver tecnologias para o futuro, anunciou nesta quarta-feira (24) um novo projeto de cibersegurança chamado Chronicle — no caso, a empreitada agora vai virar uma companhia, de fato. A X funciona como uma espécie de incubadora para empreendimentos mais experimentais da Alphabet (subsidiária dona do Google), como carros autônomos ou balões gigantes que fornecem acesso à internet. No caso, a Chronicle é a primeira companhia de cibersegurança lançada pela X.

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Segundo um blog post de Stephen Gillett, CEO da Chronicle, a companhia é uma plataforma empresarial que usará inteligência artificial e machine learning para “ajudar empresas a gerenciar melhor e entender o nível de segurança de dados”. Também fará parte do empreendimento a VirusTotal, um sistema de análise de malware adquirido pelo Google em 2012.

Para uma iniciativa que visa tecnologias para o futuro, isso não parece nada futurístico. Na verdade, parece bastante com o discurso de várias empresas de cibersegurança que oferecem detecção de ameaças usando inteligência artificial. O conceito por trás disso é que há mais hackers e ameaças do que profissionais de cibersegurança, então a indústria precisa de um empurrão da inteligência artificial para poder acompanhar essa mudança.

Então, o que diferencia a Chronicle das outras empresas? “Nós vamos compartilhar mais sobre nossa tecnologia e sobre o que nos distingue da indústria em breve”, disse Gillett a um grupo de jornalistas.

Por ora, parece que a Chronicle confia apenas em sua associação com o Google para se destacar de outras soluções na nuvem de cibersegurança assistidas por inteligência artificial. “Nós temos acesso às melhores equipes de inteligência artificial e machine learning do mundo”, afirmou o executivo

Parece também que a Chronicle também se apoia no Google Cloud, permitindo que companhias armazenem mais dados de inteligência sobre ameaças do que eles poderiam fazer por conta própria. “Estamos construindo e fazendo a Chronicle funcionar com a mesma velocidade e infraestrutura confiável que está por trás de diversas iniciativas da Alphabet”, afirmou Gillett.

Só porque outras companhias estão fazendo o mesmo produto não significa que isso não pode ser visto como uma iniciativa futurista, disse Astro Teller, que comanda a X, em um blog post. “Vejo isso como um problema óbvio. Eu sei que o acesso à internet é ainda um problema para bilhões de pessoas, mas as tecnologias existentes, como Wi-Fi e torres de celular, vão nos ajudar a acabar com isso, certo? O cibercrime é o último problema a ‘escorrer’ nesta zona de problemas óbvios.”

“Fornecer melhores capacidades para entender padrões desses dados de ameaça pode não parecer muita coisa, mas reduzir o tempo entre o início de um ataque e sua descoberta (de alguns meses para horas ou dias) pode reduzir consideravelmente os danos — e ainda nos ensinar o que outras tecnologias e capacidades podem nos ajudar a reverter a tendência contra uma ampla gama de vulnerabilidades e atacantes.”

A Chronicle parece exatamente como qualquer outra empresa de segurança. No entanto, a X só parece não querer que você tire essa conclusão, por ora. A nova companhia diz que já tem algumas empresas Fortune 500 [classificação das 500 maiores companhias do mundo] como beta testers de seu produto.

Foto do topo: Funcionários da Chronicle, a nova iniciativa de cibersegurança da Alphabet. Crédito: Alphabet