Meses depois do triste acidente em que perdeu o braço direito, o ciclista David Santos Sousa recebeu a prótese biônica e começou o processo de recuperação. Em depoimento à Folha de S.Paulo, ele contou um pouco sobre como está sua vida depois do acidente.

 Continuo desenhando, agora com o braço esquerdo. Está sendo difícil porque sou destro, mas estou me acostumando. Gostava de fazer desenhos de caveiras como essas tatuadas na prótese. Eu que pedi esses desenhos no braço. Achei irado, as caveiras brilham no escuro! (risos)

Minha meta é conseguir desenhar com o braço biônico. Dizem que dá. Estou aprendendo devagar a mexer. Já consigo cumprimentar, olha [ele estende a mão biônica para a repórter]. Também consigo levantar um copo. O resto vem com o tempo.

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São necessárias cerca de duas semanas para se adaptar ao novo braço, que funciona a partir das contrações do bíceps e tríceps, detectadas por eletrodos — veja aqui mais detalhes do funcionamento. A Conforpés, empresa que doou o equipamento e o tratamento para o ciclista, fica em Sorocaba, cidade do interior de SP que fica a 87km da capital; por isso, a rotina de David está bem apressada.

Estou dividindo os meus dias entre o trabalho, a academia, as entrevistas e as viagens a Sorocaba [onde fica a empresa doadora da prótese] para os testes com o braço. A rotina está corrida. Mas eu gosto assim. Eu sou bem agitado. Se a gente parar, o coração para de bater, né?

David era limpador de vidraças externas na Avenida Paulista — no dia do acidente, estava indo trabalhar. Agora, ele é instrutor de rapel. “Limpar vidro com um braço só ou com a prótese não dá.” Mas ele tem força de vontade para seguir em frente, apesar de tudo. “É claro que tudo está sendo mais difícil agora. Mas a vida continua. Não vou desistir porque perdi o braço. Daqui para frente é vida nova.” [Folha de S.Pauloimagens via UOL e Rivaldo Gomes/Folhapress]