De vez em quando, um avanço científico reformula completamente o nosso mundo, e nos dá uma visão e esperança inestimáveis para um futuro mais perfeito. Algo que nos faz pensar: “Mas que belo mundo, e que privilégio ser parte dele”.

Este não é um desses avanços.

Segundo a Nature, pesquisadores da Nova Zelândia arruinaram hoje uma das nossas esperanças secretas, com o anúncio de que o DNA não dura muito tempo.

Mais especificamente, ele tem meia-vida de 521 anos: isso significa que, a menos que D. Pedro I tenha declarado a independência montado num estegossauro, nós nunca poderemos clonar um dinossauro. Ou seja, qualquer sonho de ver Jurassic Park acontecendo na vida real acaba de ser esmagado com um nível Jurassic Park III de decepção.

Você está pensando no âmbar, não é? O âmbar vai nos salvar! Desculpa, mas não. É verdade que, em condições ideais de preservação, a vida útil do DNA é prolongada, mas ele ainda seria ilegível após 1,5 milhões de anos.

Ok, ok, mas e se nós descobrirmos como ler melhor o DNA? Mais uma vez, sinto muito, mas não. Todos os avanços em técnica de clonagem no mundo não mudam o fato de que cada ligação de um único nucleotídeo em uma fita de DNA é quebrado após, no máximo, 6,8 milhões de anos. E isso em perfeitas condições, não num lugar como o deserto de Mojave.

E os últimos dinossauros morreram há 65 milhões de anos. Nem mesmo um cientista britânico excêntrico e bilionário pode trazê-los de volta agora. O máximo que podemos fazer é trazer de volta as moas, pássaros gigantes cujos ossos foram examinados pelos pesquisadores para chegar a esta triste conclusão. A moa, caros senhores, não é um pterodátilo.

Valeu, hein, ciência. Agora, em vez de me esquivar de velociraptores em nossos hoverboards, nosso futuro só nos reserva… Jurassic Park IV. [Nature]