Após sequenciarem genomas de lobos cinzentos, um grupo de pesquisadores descobriu que os animais são os parentes mais próximos dos cachorros que conhecemos hoje. As descobertas foram publicadas na revista científica bioRxiv.

Também chamado de lobo japonês, o Canis lupus hodophilax, foi uma subespécie menor do que a maioria dos lobos cinzentos. Eles são divididos em três linhagens: as linhagens norte-americana, euroasiática e de cães domésticos, incluindo várias linhagens agora extintas que habitaram a Eurásia durante a Era do Gelo, há quase 12 mil anos.

O animal, já extinto, teve o último registro de morte em 1905, mas vários museus no Japão e na Europa têm espécimes. Por isso, a equipe conseguiu obter amostras de tecido, principalmente de ossos, dos quais o DNA foi extraído.

Nesta pesquisa, a equipe de Yohey Terai, da Universidade de Pós-Graduação em Estudos Avançados do Japão determinou ao todo o genoma de nove lobos japoneses da e 11 cães japoneses e cruzou as análises dos animais antigos e modernos. 

O resultado mostrou que o lobo japonês está em um ramo evolutivo distinto dos lobos que surgiram de 20 mil a 40 mil anos atrás. Alguns desses lobos evoluíram para lobos japoneses, enquanto outros deram origem aos cães. A divisão possivelmente pode ter acontecido no leste Asiático, sugerindo que era ali que vivia o ancestral lobo direto dos cães.  A pesquisa aponta que até 5,5% dos genomas dos cães modernos em toda a Eurásia Oriental são derivados da ancestralidade do lobo japonês.

Terai disse à New Scientist que não esperava essa conclusão de forma alguma. Mas espera extrair DNA de ossos de lobo antigos encontrados nesta região para confirmar a hipótese. Contudo, ele aponta que a preservação do DNA em ossos tão antigos pode ter algumas falhas.

Os sequenciamento também mostrou que após a divisão inicial, houve algum cruzamento entre a linhagem do lobo japonês e os primeiros cães. Isso deve ter acontecido há pelo menos 10 mil anos, porque 2% do genoma de um cão de trenó (como um husky do Alasca) anos deriva de lobos japoneses. É provável que esse cruzamento tenha ocorrido antes da matilha chegar ao Japão, de acordo com os pesquisadores.

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Agora, se você está interessado em saber quando ou como esses cães começaram a interagir com humanos, lamento dizer que ainda não é possível saber a partir do genoma. Terai explica que para isso seriam necessárias evidências arqueológicas. 

[New Scientist]