Ex-assessores do presidente Joe Biden publicaram uma série artigos propondo mudanças na estratégia dos Estados Unidos para lidar com a pandemia de Covid-19. De acordo com os cientistas, as iniciativas do presidente americano focam em eliminar o vírus, enquanto deveriam se concentrar em viver com ele de maneira segura. 

Todos os autores haviam sido nomeados para o Conselho Consultivo da Covid-19 durante a transição de Biden em 2020. Grandes nomes da medicina americana integram a equipe, como Luciana Borio, ex-cientista-chefe interina da Food and Drug Administration (FDA), e Ezekiel Emanuel, oncologista, especialista em ética médica e professor da Universidade da Pensilvânia que aconselhou o ex-presidente Barack Obama.

Três artigos foram publicados na revista científica Journal of the American Medical Association nesta quinta-feira (6). Neles, há propostas de um novo plano para lidar com a pandemia e também estratégias detalhadas para testagem, mitigação, vacinas e tratamentos contra a Covid-19.

Os cientistas pedem que o governo americano olhe para além da variante ômicron, reconhecendo que ela não deve marcar o fim da pandemia. Além disso, reforçam que a taxa atual de hospitalizações e mortes pela doença nos EUA seguem inaceitavelmente altas. 

Os pesquisadores pedem, por exemplo, que seja pensada uma próxima geração de vacinas que visem o combate a novas variantes. Eles também sugerem que os imunizantes sejam oferecidos em outros formatos como sprays nasais e adesivos para a pele, o que tornaria a distribuição mais simples. 

Os artigos também criticam a postura de Biden em focar apenas nas vacinas e deixar outras medidas de proteção, como o uso de máscaras, em segundo plano. Eles pedem por uma distribuição ampla e gratuita de máscaras N95, além do acesso facilitado a kits de testagem confiáveis. 

Os pesquisadores falaram ainda sobre a importância do avanço de pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de antivirais específicos para o Sars-CoV-2. Para aumentar a cobertura vacinal, os cientistas também sugerem a obrigatoriedade do imunizante para uma série de trabalhadores e também o uso de certificados de vacinação digitais, o que dificulta a falsificação.