Ciência

Cientistas encontram caviar ilegal e até falso vendido na Europa

Comer caviar é sinônimo de ostentação. Dessa forma, mesmo com preço elevado, há uma grande procura por seu consumo. Tão grande que, há um tempo, a busca pelo esturjão, peixe que origina as ovas utilizadas no caviar, levou a espécie à beira da extinção. Isso fez com que a pesca deste animal se tornasse ilegal. […]
Imagem: Wikimedia Commons/ Reprodução

Comer caviar é sinônimo de ostentação. Dessa forma, mesmo com preço elevado, há uma grande procura por seu consumo. Tão grande que, há um tempo, a busca pelo esturjão, peixe que origina as ovas utilizadas no caviar, levou a espécie à beira da extinção.

Isso fez com que a pesca deste animal se tornasse ilegal. Por isso, o caviar legal e disponível no comércio internacional só pode vir de esturjões criados em cativeiro.

Agora, um novo estudo analisou amostras de caviar vendidas em quatro países europeus – Bulgária, Romênia, Sérvia e Ucrânia. Os resultados mostram que metade dos produtos são ilegais e alguns nem mesmo contém qualquer vestígio de esturjão. A pesquisa foi publicada 

na revista Current Biology.

O que diz a pesquisa

O objetivo dos pesquisadores era descobrir a verdadeira origem dos produtos de caviar vendidos em regiões nativas de esturjão. Por isso, eles escolheram trabalhar com amostras comercializadas na Bulgária, Romênia, Sérvia e Ucrânia, que são nações que fazem fronteira com locais em que as populações restantes do peixe selvagem vivem.

Eles compraram caviar de diversas fontes: mercados locais, restaurantes, bares e instalações de aquicultura. Além disso, também analisaram cinco fragmentos de produtos que as autoridades haviam apreendido. 

No total, os cientistas analisaram o DNA de 149 amostras. Dessa forma, eles descobriram que 21% delas eram provenientes de esturjões capturados na natureza – ou seja, não vinham daqueles criados em cativeiros. Esses produtos ilegais eram vendidos nos quatro países estudados.

Além disso, os pesquisadores também identificaram que 29% das amostras violavam regulamentações do CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção) e leis comerciais. Isso porque listavam a espécie errada ou o país de origem incorreto no rótulo do produto.

Três das amostras, servidas na Romênia em um prato chamado “sopa de esturjão”, nem eram fragmentos do peixe. Em vez disso, os pesquisadores identificaram o conteúdo como partes de bagre europeu ou de perca do Nilo, duas outras espécies.

Por fim, eles categorizaram que outros 32% das amostras enganavam os clientes ao declarar que vendiam caviar selvagem, quando na verdade os produtos eram de aquicultura. De acordo com os cientistas, isso indica que consumidores não aceitam completamente os produtos de cativeiro como substitutos.

“Além disso, a venda de caviar em violação das obrigações do CITES e da UE questiona a eficácia dos controles em geral e do sistema de rotulagem em particular”, afirmam no estudo.

A caça ao peixe esturjão

Hoje, existem quatro espécies de esturjão restantes na Europa: Beluga, Russo, estrelado e esterlino. Todas são capazes de produzir caviar e podem ser encontradas no rio Danúbio e no Mar Negro.

Desde 1998, elas são protegidas pela CITES. Logo depois, no ano 2000, entrou em vigor um sistema internacional de rotulagem para todos os produtos de caviar, criado para interromper o comércio ilegal.

Contudo, os resultados da pesquisa evidenciam que a pesca ilegal ainda acontece. Apesar disso, os cientistas alegam que nenhuma investigação formal foi realizada.

“O status de conservação das populações de esturjão do Danúbio torna cada indivíduo importante para sua sobrevivência, e a intensidade observada da pesca ilegal mina qualquer esforço de conservação”, escreveram os pesquisadores no estudo.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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