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Cientistas identificam neurônios responsáveis pela falta de sono e estresse

Pesquisadores identificaram um grupo de neurônios no cérebro de ratos responsáveis por regular os "microdespertares" do sono

A falta de sono devido ao estresse é uma experiência comum, mas os mecanismos responsáveis por essa relação ainda não são completamente compreendidos. Tentando entender melhor como funciona essa dinâmica, cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, resolveram pesquisar como o estresse afeta o sono de ratos.

Ao realizarem os testes, os pesquisadores identificaram um grupo específico de neurônios no cérebro dos animais que são responsáveis por regular os “microdespertares”. Isto é, picos de vigília que podem perturbar o ritmo do sono. A pesquisa, liderada pela neurocientista Shinjae Chung, foi publicada nesta semana na revista Current Biology.

Os microdespertares são parte normal do ciclo de sono, mas em excesso, podem levar a um sono fragmentado e de má qualidade, contribuindo para distúrbios do sono como a insônia. Para estudar a relação entre o estresse agudo e os microdespertares, os pesquisadores expuseram camundongos a ataques repetidos de um outro camundongo agressivo, induzindo um estado conhecido como “estresse de derrota social”.

Os resultados revelaram que os ratos estressados experimentaram mais microdespertares e, consequentemente, passaram menos tempo em repouso não-REM. Ou seja, assim como os humanos, os ratos dormem mais profundamente quando não estão sob estresse.

Entendendo melhor o sono

A pesquisa se concentrou no hipotálamo, região vital para a regulação do sono. Usando técnicas como eletroencefalografia e eletromiografia, os cientistas monitoraram a atividade cerebral dos roedores estressados. Dessa forma, descobriu-se que uma subpopulação específica de neurônios na área pré-óptica do hipotálamo, os neurônios glutamatérgicos, tem envolvimento nos microdespertares.

Ao inibir os neurônios glutamatérgicos, os pesquisadores observaram um efeito oposto: os ratos estressados dormiram por mais tempo entre os microdespertares. Isso sugere que esses neurônios desempenham um papel crucial na regulação da estabilidade do sono.

As descobertas vão contra as de alguns estudos anteriores, que descobriram que o estresse pode causar mais sono em ratos, disse a cientista Brittany Bush à Nature. Uma diferença fundamental é que, em estudos anteriores, os ratos foram devolvidos às suas gaiolas para dormir. Já na última experiência, adormeceram no ambiente onde ocorreu o estresse agudo.

Apesar disso, segundo a pesquisadora, é improvável que as descobertas influenciem no tratamento de distúrbios do sono humano agora. Mas, no futuro, poderão apontar formas de responder a questões sobre a relação entre o sono humano e o estresse, além de seus vários efeitos na saúde.

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