Um novo estudo, publicado nesta quinta-feira (22) no periódico Environmental Health Perspectives, revelou mais evidências de que os cigarros eletrônicos não são completamente inofensivos. A pesquisa sugere que o hábito pode expor pessoas a níveis inseguros de toxinas como chumbo e arsênio.

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Pesquisadores da Universidade John Hopkins pediram a 56 usuários diários de cigarros eletrônicos – recrutados a partir de lojas e convenções ao redor da cidade de Baltimore – que emprestassem seus dispositivos. Os aparelhos que são modificáveis e reutilizáveis permitem que pessoas reabasteçam o líquido a partir de um tanque separado.

Primeiro, os pesquisadores testaram o líquido do tanque para 15 metais comuns. Depois, testaram o aerossol que os usuários inalam para seus pulmões, que é gerado a partir do aquecimento do líquido graças a uma bateria de uma bobina de metal. Por fim, foi testado o líquido remanescente no dispositivo.

Foi encontrado um nível insignificante de metal no tanque. Mas após o líquido ser aquecido para um aerossol, muitas das amostragens possuíam níveis elevados de chumbo, cromo, níquel, manganês e zinco. Os primeiros três elementos são potencialmente tóxicos em quaisquer formas, enquanto o manganês e zinco são minerais perigosos ao serem inalados. A concentração desses metais também era elevada, mas nem tanto, no líquido remanescente no dispositivo.

O principal culpado dessa contaminação, segundo os pesquisadores, provavelmente é bobina de metal utilizada para aquecer o líquido.

“É importante para a FDA [agência reguladora equivalente a Anvisa] e para as empresas fabricantes de cigarros eletrônicos e vapers saberem que essas bobinas de aquecimento, do jeito que são fabricadas hoje, aparentemente são responsáveis por vazar alguns metais tóxicos – que então entra nos aerossóis que os usuários inspiram”, disse a autora principal do estudo Ana María Rule, pesquisadora de poluição de ar na Escola de Saúde Pública Bloomberg de John Hopkins.

A pesquisa é a mais recente a indicar que os cigarros eletrônicos (e os líquidos aromatizados) carregam seus próprios riscos à saúde, mesmo que sejam menos prejudiciais do que os cigarros de tabaco tradicionais. Esse último estudo é a continuação de pesquisas preliminares publicadas pelos autores no ano passado, que analisou o mesmo grupo de usuários. O estudo encontrou níveis elevados de níquel e crômio tanto no líquido aquecido pelo dispositivo quanto na saliva e urina dos usuários.

A questão iminente, porém, é saber o quão prejudicial os cigarros eletrônicos são. Alguns dos metais encontrados, como o chumbo, representam um perigo, não importa a quantidade a que sejamos expostos. Para outros metais, muitos dos níveis de exposição eram maiores do que o considerado seguros por órgãos como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

A presença de arsênio também é um mistério, uma vez que, ao contrário das outras toxinas que detectaram, o elemento não faz parte da composição das bobinas tipicamente usadas nos dispositivos de cigarros eletrônicos. Os pesquisadores sugerem que o elemento é produzido a partir do processo de aquecimento.

Os cientistas disseram que suas descobertas “sugere que utilizar cigarros eletrônicos em vez de cigarros convencionais pode resultar em menos exposição ao cádmio, mas não a outros metais perigosos encontrados no tabaco”.

Outros pesquisadores continuam acreditando que, embora os cigarros eletrônicos não sejam inofensivos, sua ameaça geral é muito menor do que a de cigarros de tabaco. Alguns defensores também argumentam – com evidências não sólidas – de que os vapers ajudaram as pessoas a diminuir ou parar de fumar tabaco, o que representa um saldo positivo. Críticos apontam que os cigarros eletrônicos estão criando uma nova geração de adolescentes que não só se tornam viciados em nicotina, mas também fumantes regulares.

Os pesquisadores desse novo estudo planejam conduzir um levantamento mais extenso, o que poderá ajudar a mapear os riscos à saúde. “Estabelecemos com este estudo que existem exposições a esses metais, o que é o primeiro passo, mas também precisamos determinar os efeitos reais sobre a saúde”, disse Rule.

Imagem do topo: Getty