Na década de 50, o cinema era um espaço para experimentação radical. Como a TV afastou um pouco as pessoas dos cinemas, Hollywood usou a tecnologia para atrair as pessoas de volta às telonas. O Cinerama era uma dessas ideias – mas fracassou.

David Bordwell, um renomado especialista em cinema, analisa em detalhes a história do Cinerama, e aponta o que estava certo – e errado – nele.

O Cinerama usava três projetores para criar uma enorme imagem sobre uma tela com 146 graus de curvatura, e estava bem à frente de seu tempo. Assim como o 3D, ele exigia câmeras especializadas e mais trabalho na hora das filmagens – só que os efeitos eram impressionantes para a época.

Era para ser o futuro do cinema, mas dá para entender como sua complexidade o fez fracassar. Para você ter uma ideia, veja abaixo o desenho da configuração exigida pelo Cinerama (clique para ampliar).

Ele exigia uma câmera que usasse três rolos de filme ao mesmo tempo, por ter três lentes filmando tudo num ângulo de 146°. Ele também exigia seis microfones. Para exibir o filme, os três rolos eram usados ao mesmo tempo, de forma sincronizada, em três cabines diferentes, por três pessoas diferentes. Isso faz até o IMAX parecer simples. E de fato, Bordwell diz que o Cinerama era um protótipo do IMAX.

O Cinerama acabou em 1962, mas você pode ver mais detalhes e imagens aqui: [David Bordwell via Verge]