por Bruno Izidro

Games são usados, em sua grande maioria, para o entretenimento. É aquele momento para relaxar ou se divertir com amigos, imergir em um mundo ou competir com alguém. Mas poucas vezes lembramos que esse hobby que tanto amamos também pode ser usado para causas mais nobres, como uma ferramenta de auxílio e de educação.

É isso que nos faz lembrar Fófuu, jogo que foi um dos vencedores da premiação do BIG Starter, que aconteceu no Brazil’s Independent Game Festival, o BIG Festival. Fófuu ganhou como melhor jogo educativo (ainda não completo) e tem a proposta de ser uma plataforma para ajudar exercícios fonoaudiológicos. “Nosso objetivo é ajudar a engajar as crianças e tornar a terapia mais divertida”, fala o programador e game designer do jogo, Bruno Tachinardi, em entrevista ao Gizmodo.

Ele e a artista Trícia Araujo formam a Beltri Studio e estão desenvolvendo Fófuu com a ajuda e consultoria da fonoaudióloga Rejane Aparecida. Foi ela, inclusive, quem deu a ideia para um jogo educativo depois que usou um game anterior do estúdio, que usava o som captado do microfone de um tablet na jogabilidade, com seus pacientes.

A partir daí nasceu Fófuu, que é formado por quatro minigames e voltado principalmente para o tratamento de crianças com que nasceram com Fissura Labiopalatal, uma condição onde o lábio superior do bebê não é completamente formado e que prejudica a fala, podendo causar problemas no desenvolvimento da fala da criança .

Por isso, os minigames em Fófuu trabalham justamente essas funções, seja assoprar para empurrar um barco, emitir sons graves ou agudos para guiar personagens e até treinar a pronúncia de palavras. “Fófuuu também transforma as rotinas de treinamento das crianças em divertidas missões diárias, que podem ser personalizadas pelos pais e terapeutas para incentivar o treinamento constante”, explica Tachinardi.

Com essas ideias e conceitos que fazem bom uso da interatividade dos jogos e dos recursos de tablets e smartphones, Fófuu foi eleito o melhor jogo educativo no BIG Starter, o que representou um crescimento enorme para o jogo. “O simples fato de termos sido finalistas nos motivou muito, foi a primeira aprovação de que estávamos fazendo a coisa certa, o que é muito importante quando você trabalha em seu tempo livre de um quartinho de casa”, fala o game designer. Não só isso: a Beltri também faturou R$ 20 mil por ter sido o vencedor e o dinheiro, segundo Tachinardi, vai ajudar muito nas despesas do jogo daqui pra frente.

Agora, com o reconhecimento pelo prêmio no BIG, a Beltri procura parcerias com ONGs e entidades para disponibilizar o jogo para tratamentos, podendo ser até mesmo de graça. “Nosso objetivo é oferecer Fófuu como um serviço que pode ser usado gratuitamente ou, por uma pequena taxa mensal, os usuários terão acesso a todos os recursos da plataforma, como o sistema de transformar as rotinas de treinamento em missões”, explica o desenvolvedor.

Fófuu, no entanto, ainda não está pronto. Com cerca de 75% concluído ele ainda tem um longo caminho pela frente, já que os desenvolvedores querem ter certeza que o jogo seja tanto divertido para as crianças interagirem quanto funcional para os tratamentos de fonoaudiologia. Ao mesmo tempo, eles também estão com uma campanha no site de financiamento coletivo Startando, para arrecadar mais recursos.

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Falar de games educativos é algo que desperta alguns preconceitos nos jogadores mais “hardcores”, até mesmo pelas mecânicas e propostas mais simples que eles oferecem, mas é sempre importante perceber como videogames podem ser muito mais impactantes para ajudar na qualidade de vida das pessoas do que poderíamos imaginar.