Na última quarta-feira (20), foi anunciada a aposentadoria do cartunista brasileiro Arnaldo Angeli Filho, conhecido como Angeli. O paulistano foi diagnosticado com Afasia Progressiva Primária (APP), um distúrbio que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo. 

O ator Bruce Willis havia sido diagnosticado com a mesma condição no final de março, sendo também afastado de seu trabalho. 

Existem diferentes tipos de afasia, sendo a maior parte delas associada a lesões no cérebro. Aqui, estamos falando de acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, tumores cerebrais ou infecções. 

A Afasia Progressiva Primária (APP), que atingiu os dois artistas, se difere um pouco. Ela é causada por doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer ou a degeneração lobar frontotemporal.

O problema prejudica lentamente a linguagem do indivíduo, o que envolve o ato de falar, ouvir, ler e escrever. Conforme a doença progride, podem surgir novos sintomas, como perda de memória.

Por enquanto, existem apenas terapias que podem ser feitas com os pacientes para retardar a evolução do distúrbio.

A Associação Nacional para Afasia dos EUA divide estes tratamentos em dois tipos: o primeiro é mais centrado, e tem como base a estimulação de habilidades específicas de ouvir, falar, ler e escrever; o segundo é mais natural, envolvendo desafios comunicativos da vida real. A abordagem é decidida pelo médico com base no grau de afasia de cada paciente. 

Na Austrália, por exemplo, acabou de ser inaugurado o primeiro centro de pesquisa voltado à doença do país, comandado pela Universidade de Queensland. Por lá, está sendo aplicado um programa com foco na telereabilitação, em que pacientes com afasia de toda a Austrália podem conversar com terapeutas de forma online. 

A troca também é benéfica para outros problemas adjacentes, como a depressão. Pessoas com afasia são quatro vezes mais propensas a desenvolver a condição, já que a comunicação, a ferramenta mais importante na hora de criar e manter laços, fica prejudicada.