Imagine ter a tecnologia necessária para ajudar pacientes com limitações físicas a retreinarem suas mentes para recuperar suas funções motoras. E se eu te dissesse que isso também poderia funcionar para pessoas com lesões cerebrais significativas, como um derrame?

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Um novo estudo publicado na Stroke, por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, demonstrou que uma interface cérebro-máquina pode ser um jeito factível de alcançar esse objetivo, ao explorar uma brecha pouco conhecida de como os nossos cérebros controlam nossos movimentos de músculo.

O entendimento comum é de que o lado oposto do seu cérebro controla as funções motoras do seu corpo. Colocado de maneira simples: o hemisfério esquerdo do cérebro dispara quando você fecha o seu punho direito. Mas uma quantidade cada vez maior de pesquisas indica que essa não é toda a história.

“Uma das coisas que descobrimos lá em 2008 foi que havia uma fisiologia associada a movimentos de membros do mesmo lado”, contou ao Gizmodo Eric Leuthardt, professor da Universidade de Washington e coautor sênior do estudo. Naquela época, pesquisadores revelaram que, quando você decide mover seu braço direito, o processo na verdade começa no hemisfério direito do seu cérebro e só depois é acompanhado pelo lado esquerdo, para realizar o movimento.

A paralisia em um lado do cérebro é um sintoma comum de um derrame. Um hemisfério do cérebro está danificado demais para emitir os comandos de movimento dos membros, mas — e isso é essencial —pacientes com derrame não perdem a intenção de fazê-lo. Se pedem para um paciente com a mão paralisada por um derrame cerrar o punho, ele ainda quer e pode até imaginar-se fazendo o punho.

“Eles simplesmente não conseguem movê-lo. Então, sabemos que há algo em sua mente, ainda presente”, disse Leuthardt.

Para alavancar essa unidade ainda operante a mover seus corpos, a equipe de pesquisa criou um dispositivo chamado de “Ipsihand”, que usa uma tampa na cabeça para captar um sinal cerebral fraco no lado não afetado do cérebro. Ele então envia comandos a um computador, que é ligado a um exoesqueleto vestível. Esse exoesqueleto pode então mover o dedão, o indicador e o dedo do meio de um paciente paralisado por um derrame, para que ele possa recuperar um pouco de sua capacidade de fechar a mão. Em testes, após usar o Ipsihand, todas as partes do corpo de um paciente envolvidas começaram a melhorar, e tudo se tratou de timing.

“O disparo em conjunto leva à conexão em conjunto”, disse Leuthardt. Quando os nervos disparam no cérebro ao mesmo tempo em que a mão responde devido ao exoesqueleto, essas ações criam novas conexões e ligações físicas no hemisfério não afetado do cérebro.

No estudo mais recente, dez pacientes que estavam parcialmente paralisados por causa de um derrame viram melhoria significativa em sua qualidade de vida. Ao longo de 12 semanas, esses pacientes usaram o dispositivo Ipsihand por dez minutos a duas horas por dia, recuperando a capacidade de manipular blocos para formar uma torre e de mover suas mãos até suas bocas.

O mais encorajador foi que esse estudo foi feito na casa dos pacientes, por eles próprios. Embora um produto comercial ainda esteja um pouco distante, ele também tem o potencial de ser usado para outras doenças neuropsiquiátricas.

“Acho que este é um exemplo simples e precoce desse tipo de técnica”, disse Leuthardt. Ele está particularmente encorajado pelo fato de o tratamento não utilizar medicamentos ou cirurgia.

“(O dispositivo) Está usando os pensamentos das pessoas para induzir mudanças no cérebro que as curam”, disse. “Isso é algo muito profundo, que nos diz que sabemos que nossas mentes importam em nossa recuperação.”

Imagem do topo: Leuthardt lab