Graham Ivan Clark, um adolescente que planejou um amplo ataque ao Twitter no ano passado envolvendo a invasão de contas de dezenas de usuários importantes para promover um golpe de bitcoin, se declarou culpado em um tribunal da Flórida nesta terça-feira (16).

De acordo com o Tampa Bay Times, o jovem, que tinha apenas 17 anos quando deu início ao ataque, foi condenado a três anos de prisão como parte de um acordo judicial, que será seguido por mais três anos de liberdade condicional. Como parte de sua punição, Clark também será proibido de usar computadores sem permissão expressa e supervisão direta das autoridades policiais.

Preso em julho de 2020, Clark recebeu o crédito de 229 dias de pena cumprida, e seu acordo judicial também incluiu a estipulação de que ele seria sentenciado como um “jovem infrator”, o que provavelmente diminuirá seu tempo de prisão e aumentará as chances de que ele tenha permissão para cumprir pelo menos parte de sua sentença em um campo de treinamento militar.

“Graham Clark precisa ser responsabilizado por esse crime, e outros golpistas em potencial precisam ver as consequências”, disse Andrew Warren, procurador do 13º Circuito Judicial da Flórida, em um comunicado. “Neste caso, fomos capazes de entregar essas consequências ao reconhecer que nosso objetivo com qualquer criança, sempre que possível, é fazer com que aprendam a lição sem destruir seu futuro.”

Em 15 de julho de 2020, várias contas do Twitter de figurões como o ex-presidente Barack Obama, Joe Biden, Elon Musk, Bill Gates, Kanye West, Michael Bloomberg e a Apple foram subitamente sequestradas de forma sequencial. Em cada caso, a conta hackeada anunciava uma proposta especial: qualquer usuário do Twitter que desembolsasse uma determinada quantia da popular criptomoeda bitcoin receberia o dobro desse valor de volta.

As autoridades dizem que o golpe rendeu cerca de US$ 117.000 em bitcoin antes de ser encerrado. Na execução do golpe, Clark trabalhou ao lado de dois conspiradores que ele teria conhecido em um fórum online chamado OGusers, que negocia a aquisição e venda de nomes de usuário antigos. Esses parceiros, identificados como Nima Fazeli, de Orlando, e Mason Sheppard do Reino Unido, também foram acusados ​​de crimes federais.

Assine a newsletter do Gizmodo

De acordo com várias reportagens, o trio conseguiu fazer o ataque explorando uma vulnerabilidade nos sistemas do Twitter: determinados funcionários de nível médio tinham acesso a poderosas ferramentas de administração em todo o site, que podiam ser usadas para redefinir endereços de e-mail de contas.

O hack — que gerou várias investigações, incluindo uma do FBI — expôs graves ameaças à segurança nacional e internacional, e levou o Twitter a tomar a medida sem precedentes de desabilitar tuítes de contas verificadas enquanto os programadores lutavam para encontrar uma solução.

“Dia difícil para nós no Twitter”, escreveu o CEO Jack Dorsey na época. “Todos nós nos sentimos terríveis quando isso aconteceu. Estamos diagnosticando e compartilharemos tudo o que pudermos quando tivermos uma compreensão mais completa do que aconteceu exatamente”.