Ontem, 20 de novembro, foi celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra e o Gizmodo Brasil mostrou 6 perfis de cientistas negras brasileiras que quebraram barreiras. Hoje, vamos com as referências no mundo todo na área.

Quando o assunto é a história da exploração espacial norte-americana, por exemplo, é muito fácil lembrarmos dos astronautas brancos que pisaram na Lua pela primeira vez, mas a história das mulheres negras que fizeram à mão os cálculos da NASA para levar os primeiros astronautas dos EUA não é muito conhecida —ainda que, em 2017, o filme “Estrelas Além do Tempo” tenha retratado essas mulheres.

Como elas, muitos cientistas negros merecem ser conhecidos e reconhecidos por seus incríveis feitos. Confira:

Mae Jemison, a 1ª negra no espaço

Mae Carol Jemison é uma médica, engenheira e ex-astronauta norte-americana. Foi a primeira mulher negra a ir para o espaço, quando serviu como especialista de missão a bordo do ônibus espacial Endeavour.

Jemison se formou em engenharia química pela Universidade Stanford e, depois, em Medicina na Universidade Cornell. Em 1987, entrou para a equipe da Nasa após um longo processo seletivo: entre dois mil candidatos foi uma das 15 pessoas selecionadas.

Katherine Johnson, cientista da NASA

Johnson foi uma das cientistas americanas da NASA que fez à mão cálculos responsáveis por levar o primeiro astronauta americano à órbita da Terra, que contribuíram para levar o Homem à Lua com o programa Apollo.

Entrou para a NASA ao 35 anos em um cargo reservado inicialmente apenas a mulheres brancas. Mas, a partir de 1940, passaram a contratar pessoas negras que trabalhavam em uma ala segregada chamada “West Area Computers”, na sala “computadores de cor” (colored computer).

Em 1960, Katherine assinou seu primeiro relatório e se tornou a primeira mulher da sua área a receber créditos por uma pesquisa. Escreveu 26 relatórios espaciais e participou do desenvolvimento dos Ônibus Espaciais até se aposentar em 1986, aos 68 anos.

Em honraria aos seus mais de 30 anos de trabalho na agência espacial, Johnson recebeu em 2015 a Medalha Presidencial da Liberdade, maior condecoração civil dos Estados Unidos. Sua história é retratada no filme “Estrelas Além do Tempo”, de 2017. A cientista morreu em fevereiro de 2020, aos 101 anos.

Patricia Bath, 1ª negra a registrar patente médica

Bath foi a médica pioneira que criou o tratamento mais preciso para catarata. Além de ter sido a primeira mulher negra a registrar uma patente médica.

A oftalmologista também fundou o Instituto Americano pela Prevenção da Cegueira e sua atitude profissional foi fundamental para ampliar o oferecimento de serviços oftalmológicos para comunidades pobres. Bath morreu em 2019 aos 76 anos, vítima de um câncer. Mas sua história e sua descoberta continuam vivas.

Marie Maynard Daly, pioneira no estudo do colesterol

Se hoje é possível saber os efeitos do colesterol e do açúcar no coração, é graças à doutura Marie Maynard Daly, pioneira no estudo. Ela foi a primeira mulher negra a obter um doutorado em química nos EUA. Em 1942 ela se formou com honras no Queens College, em Nova York, e concluiu o mestrado, também em química, apenas um ano depois.

Mas foi durante seu doutorado que Daly descobriu como os compostos produzidos internamente ajudam na digestão,. Passou grande parte de sua carreira como professora e pesquisando núcleos celulares. Também descobriu a ligação entre colesterol alto e artérias entupidas, o que ajudou os estudos de doenças cardíacas.

George Washington Carver, inventor autodidata

Este cientista e inventor, atuante no final do século 19 e no início do século 20, ficou mais conhecido por descobrir cem usos para o amendoim. Mas isso é apenas uma degustação do trabalho deste gênio e sua grande contribuição para a ciência.

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Filho de escravos, Caver foi separado de sua família após um sequestro e, então, criado pelo casal que havia comprado ele de seus pais. No Mississippi teve dificuldades para encontrar uma escola que aceitasse alunos negros. Carver foi autodidata, conduziu experimentos biológicos sozinho e anos mais tarde acabou conseguindo um mestrado no programa de botânica da Iowa State Agricultural College, onde ficou conhecido como um cientista brilhante.

No Instituto Normal e Industrial Tuskegee para Negros, Carver desenvolveu métodos de rotação de culturas, que revolucionou a agricultura do sul dos EUA. Educou os agricultores sobre métodos para alternar as culturas de algodão, que destroem o solo, com culturas que enriquecem o solo como amendoim, ervilha, soja, batata-doce e nozes.