Você nunca está sozinho. E, não, esse texto não tem nada a ver com seres sobrenaturais, mas sim com ácaros microscópicos que habitam sua pele. 

Estamos falando de aracnídeos de 0,3 mm de tamanho, transmitidos da mãe para o bebê durante o nascimento. Eles passam a vida inteira nos folículos pilosos do rosto e mamilo, enquanto se alimentam do sebo liberado naturalmente pelas células dos poros.

Pela primeira vez, cientistas britânicos sequenciaram o genoma desses aracnídeos, conhecido como Demodex folliculorum. De acordo com o estudo publicado na Molecular Biology and Evolution, a vida dentro dos poros fez com que o ácaro desenvolvesse um arranjo de genes bastante diferente daquele visto para espécies semelhantes.

Tais mudanças no DNA resultaram em características e comportamentos incomuns, que agora foram entendidos pelos pesquisadores. Esses organismos, por exemplo, vivem com um repertório mínimo de proteínas – o menor já visto em qualquer espécie relacionada.

Eles também têm comportamentos noturnos, já que perderam o gene que permite que os ácaros sejam acordados pela luz do dia. Como também não produzem melatonina, composto que torna os invertebrados ativos durante a noite, usam os remanescentes secretados pela pele humana ao final do dia. Assim, conseguem acasalar enquanto se agarram aos nossos pelos. 

Vale dizer que os ácaros não têm muitos parceiros em potencial. A falta de diversidade genética enfrentada pelos animais, aliás, parece estar colocando-os no caminho da extinção.

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O novo estudo esclareceu uma antiga questão: se os ácaros tinham ânus ou não. Muitos pesquisadores pensavam que os animais acumulavam as fezes ao longo da vida, liberando-as após a morte, o que seria a causa de inflamações na pele. A ideia está errada, já que foi confirmado agora que os microrganismos têm, sim, ânus.

Lembre-se da presença desses inquilinos invisíveis da próxima vez que coçar os olhos.