A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) divulgou nessa sexta-feira (21) um segundo levantamento sobre as consequências do surto de COVID-19, a doença provocada por um novo coronavírus, no setor de eletroeletrônicos no país. Se na pesquisa de duas semanas atrás o número de empresas apresentando problemas em receber materiais da China era de 52%, a pesquisa mais recente revelou que agora 57% já se encontram na mesma situação.

De acordo com comunicado da Abinee, as principais afetadas são as fabricantes de produtos de Tecnologia da Informação, que inclui celulares e computadores. Motorola e Samsung, por exemplo, já diminuíram sua produção. Ainda no comunicado, o presidente executivo da associação, Humberto Barbato, afirma que há chances de haver diversas paralisações daqui pra frente e que o problema só não é mais grave devido à produção local de produtos.



De fato, os dados mostram que, entre as 50 empresas entrevistadas para o estudo, 4% afirmam que já operam com paralisação parcial, enquanto outras 15% programam paralisações para os próximos dias.

Em relação aos resultados financeiros, 17% das empresas acreditam que não vão conseguir atingir a produção prevista para o primeiro trimestre desse ano, ficando cerca de 22% abaixo do esperado.

Até mesmo a Apple já havia divulgado um comunicado informando os investidores sobre os impactos do surto de coronavírus nos resultados da empresa para esse período. Com a lenta recuperação do ritmo das fábricas na China, a Abinee estima que as empresas devem demorar dois meses para normalizar sua produção quando os embarques de materiais do país asiático forem retomados.

O presidente da Abinee observou no comunicado que esse cenário expõe a vulnerabilidade do País devido à forte dependência de componentes importados, sendo necessário começar a se pensar em incentivar a produção local. Conforme a própria associação havia informado anteriormente, cerca de 80% dos componentes utilizados na produção de eletrônicos no Brasil é proveniente da China e outros países asiáticos — justamente a região mais afetada pelo coronavírus.