A empresa de consultoria IDC divulgou nesta segunda-feira (16) um levantamento que indica uma possível queda de 5% a 10% nas vendas de dispositivos móveis na América Latina como consequência do surto de coronavírus (COVID-19).

As medidas do governo chinês para conter a disseminação do vírus têm resultado em uma falta na produção de componentes e produtos para o setor eletroeletrônico, com uma diminuição global de 50% nos embarques e produção. Segundo o IDC, o Brasil será o país mais afetado da América Latina devido à grande dependência de importações.

Uma pesquisa anterior realizada pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) já havia revelado que 70% das empresas de eletroeletrônicos estavam enfrentando problemas com o recebimento de materiais da China, com 6% operando com paralisação parcial em suas fábricas e 14% planejando o mesmo para os próximos dias.

No caso do México, quase todos os smartphones comercializados no país são montados na China ou com produção combinada com a Coreia do Sul, Índia ou Vietnã. No entanto, os fornecedores ainda mantêm estoques significativos e, por isso, nenhum impacto é esperado por enquanto.

Ricardo Mendoza, analista para a América Latina do IDC, diz que ainda é difícil fazer previsões diante da situação instável do coronavírus no mundo. Porém, no caso do pior cenário possível, em que a pandemia não é contida, a constante baixa na produção de componentes pode resultar em uma queda de 15% a 20% do mercado. Para um cenário positivo, caso a doença seja contida rapidamente, a projeção é de um crescimento entre 0% e -2%.

Por enquanto, a solução que algumas empresas estão adotando é aumentar as vendas online e expandir a cooperação entre as cadeias de suprimento, principalmente para compra e entrega de componentes.

O problema, segundo Mendoza, é que mesmo sem o surto de coronavírus, as vendas de smartphones na América Latina já estavam em declínio, apresentando uma queda de 1,6% em 2019 quando comparado a 2018. Entre os países mais afetados estão Chile (queda de 14,4%) e Argentina (14,3%) devido ao conturbado cenário político e social.

No Brasil, houve um aumento de 8%, enquanto que no México a taxa foi de 2,7%. Esses crescimentos acabaram compensando os números totais da região, segundo o IDC.