A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) realizou uma terceira sondagem para atualizar os números referentes ao impacto do coronavírus (COVID-19) no setor. Segundo comunicado divulgado na segunda-feira (10), 70% das 50 empresas entrevistadas já afirmam enfrentar problemas com o recebimento de materiais, componentes e insumos vindos da China. Na última pesquisa de 20 de fevereiro, esse número era de 57%.

Diante disso, 6% das empresas já operam com paralisação parcial nas fábricas, enquanto 14% já planejam o mesmo para os próximos dias – em sua maioria, também de forma parcial. Outras 48% não tem nenhuma previsão de interromper as atividades, sendo que essa decisão poderá mudar caso os problemas no abastecimento permaneçam por muito tempo.

Com falta de materiais e suspensão de parte da mão-de-obra, a produção consequentemente apresentará uma queda também. No total, 21% das empresas afirmam que não atingirão a produção prevista para o primeiro semestre, ficando, em média, 31% abaixo das projeções. Por outro lado, 48% das entrevistas acreditam que a produção não será impactada, enquanto 31% se mantém incerta em relação aos possíveis resultados.

Após a retomada dos embarques de materiais e componentes da China, ainda deve demorar cerca de dois meses para que a produção seja normalizada, aponta a pesquisa.

Uma nova indicação desse levantamento mais recente é que, pela primeira vez, 54% das empresas sinalizaram que, caso a situação se prolongue por mais de um mês e meio, haverá impactos na entrega do produto final aos clientes.

No comunicado, Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, reforçou que essa situação é um alerta para a vulnerabilidade a que o Brasil está exposto ao depender fortemente de um único mercado, sendo necessário incentivar cada vez mais a produção local.

Em 2019, o Brasil importou um total de US$ 7,5 bilhões em componentes da China. Com isso, o país asiático foi responsável por 25% total de insumos do setor eletroeletrônico, incluindo nacionais e importados.